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Santa Clara de Saboia

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Câmara Municipal · Correspondência · Igreja · Interpretacção incerta

Santa Clara de Saboia, 6 de dezembro de 1878. — Peço sr. redactor a fineza de dar publicidade no seu jornal á seguinte carta, com a qual respondo a uma correspondencia inserta na mesma folha n.º 933. O sr. Florencio Estevão Coelho, cavalheiro conhecido pelas suas façanhas na sua correspondencia, quiz cobardemente occultar-se sob o anonymo de trez estrelinhas, para me assacar infamias e injurias; mas para que, se a sua imprudencia logo o havia de delatar? Escoceia poderosamente sua senhoria e pede providencias para que eu seja exonerado do logar de regedor de parochia que actualmente exerço e que por differentes vezes hei exercido! Para isso, visto a posta lhe convir, não precisava degradar-se tanto sua senhoria com as suas torpes e infames calumnias, era unicamente bastante pedir-me, amigavelmente, que solicitasse a minha demissão para ser depois o nomeado. Ora pois, senhor Florencio, muito baixinho lhe digo que se a regedoria não dá tão bons emolumentos como o de cobrador da derrama municipal. Na regedoria não ha bilhetes que se fabriquem, augmentando-se-lhes a cifra para depois os pobres camponezes pagarem inconscientemente as habilidades do senhor Florencio. Lembra-se o que sua senhoria fez quando ultimamente exerceu esse cargo? Lembra-se, lembra-se! assim como se lembra muita gente que muito de perto teve conhecimento de tão feia esperteza. A probidade de sua senhoria é assaz reconhecida, pois não? será bastante para sua justificação narrar d’entre muitos, os seguintes factos: Estando sua senhoria em apuros em certa occasião, pedio á viuva do Loução do Gavião 5 moedas a titulo de emprestimo, fallecendo esta, passados tempos, e tendo os herdeiros conhecimento da divida, pediram-lhe o seu embolso, mas como não tivessem titulo de abono, unicamente recebiam... o quê, senhor Florencio? O que era de esperar: a porta pela cara! Também se conta d’uma noventa mil reis que foram confiados á sua senhoria para os entregar a uma senhora d’aqui, mas ficaram sendo... monopólio seu! Com estas, outras muitas verdades que por não comprometter mais alguem ficam agora no tinteiro, sahirão a lume se sua senhoria tiver a delicadeza de dizer-me como, na qualidade de membro, escrivão e thesoureiro da junta da Parochia, em que reparos de cemiterio foram applicados os cincoenta mil reis que para esse fim a camara municipal fez donativo, e umas outras continhas que socegadamente desapareceram. Acautelle-se pois senhor Florencio que tem muitas culpas no cartorio. É este, senhor redactor, o homem integro e justiceiro, que sem prol de seus sordidos interesses ousa diffamar os actos publicos e particulares d’um cidadão. Pela inserção d’estas linhas lhe ficará sinceramente grato o que é de v. etc. Porfirio Antonio Callapez. (Segue-se o reconhecimento.)