[Lisboa] Lisboa
28-1-79. Meu charo redactor:—A immoralidade vampeia infrene no centro da representação nacional. As discussões são acaloradas em ambas as camaras, mas infelizmente inúteis; o paiz nada tem lucrado, e segundo os symptomas que apresentam os srs. legisladores, pouco hade lucrar, porque, veja-se, no corrente mez de janeiro, tem-se discutido, como dissemos, no nosso numero passado, se a legislatura pertence aos representantes do povo ou se aos do governo regenerador! Os grandes trabalhos da camara alta, meu amigo, encerram-se em dois requerimentos de pouca importância, no grande tiroteio ácerca da escandalosa concessão da Zambezia, e n’uma pergunta ignorante do sr. Costa Lobo. Teve este sr. a stulta lembrança de perguntar se era verdade estar um navio hespanhol fazendo a policia da pesca nas aguas do Algarve; isto é que é um par que devia ser nunes, pois se nem ao menos sabe que nas aguas do Algarve anda um navio costeiro para fazer a policia, assim como nas aguas de Hespanha anda um navio d’esse paiz. Emfim intelligencias como estas ha muitas no parlamento graças ao sr. Fontes! Podemos certificar os nossos concidadãos que o parlamento hade encerrar-se e o paiz ficará como d’antes, com o mesmo deficit; os mesmos desperdícios; o mesmo governo com os seus esbanjamentos, com as suas concessões, com as suas penitenciarias, com os seus afilhados; e só teremos mais divida consolidada, mais tributos, e mais immoralidade! O povo que vá colhendo os fructos das arvores que plantou n’aquelle paraizo chamado representação nacional.