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Aldeia Nova · Portugal Interpretacção incerta

[Aldeia Nova] Aldeia Nova 12 de janeiro de 1879. Sr. redactor:—Quem bem ama mais castiga; são palavras textuaes do ex.mo ministro do reino o sr. Sampaio, a quem por ultimo recorremos, requerendo-lhe o justo e devido castigo para o incorrigível delinquente professor de instrucção primaria — Antonio Rodrigues Rogado — por antonomasia o mestre [ilegível], que bem anomalo tem arredado de si o pudor e a honestidade, deixando-se apoderar inteiramente do vicio e do crime, irresistível tentação, que os seus precedentes somente afagam, e os seus hábitos bafejam sobre a constituição d’este bem intencionado povo d’Aldeia Nova do S. Bento, de dia para dia mais esteril de educação moral e civil, attentas os péssimos, corruptos e depravados exemplos, que este sr. professor lhe arremessa impudentemente, malbaratando a missão de que se acha investido. Custa dizer-se; porem é de todo o ponto verdadeiro que desappareceu, fugio, escapou d’este sr. professor o amor do ensino, o respeito social, a moralidade. Depois que o sr. Rogado vio os seus actos expostos á expectação publica, é quando então requinta seus costumados escandalos, frequentando a taberna, o jogo de parada, entregue sómente ao culto do seu deus Bacho, e descurando com toda a indifferença o magisterio a seu cargo, demonstração inconcussa de que não ha pena que o contenha dentro da meta da decencia. Nem a competente auctoridade administrativa, nem o respectivo ex.mo commissario dos estudos teem podido ouvir nossos rogos contra o procedimento indigno, quanto immoral, d’este sr. professor bacchista, que tem levado a sua impudência até ao ponto de se impor devidamente como auctoridade para com alguns forasteiros, trazeuntes, aos quaes tem enxovalhado despoticamente, prendendo ora uns ora outros, e isto só pelo simples facto de exercer o cargo de escrivão do regedor, cargo sobremaneira incompatível com o exercício do professorado. Repugnam sem duvida por extremamente nauseabundos os actos não interruptos d’este sr. Rogado, mais proprio para quadrilheiro pelo seu caracter fementido, do que para preceptor de creanças, que carecem de se instruir e educar para columnas da sociedade. Não pode, não deve continuar na qualidade de preceptor dos infantes, filhos d’Aldeia Nova, este sr. Rogado, porque, olvidando os deveres sociaes, bem como as obrigações que lhe impõe o magisterio a seu cargo, prosterga e degrada com o mais atrevido cynismo a sublime missão do ensino, trocando-a por tuna Bacchante, para entornar no estomago alguns litros do embriagante licor do seu divino Bacho, e por uma Baldomera, sarrapinhando alguns cobres, que para maior vergonha e condemnação sua, não tem ainda logrado embolsar. (Continua.)