[Lisboa] Lisboa
27-8-79. (Correspondência particular.) Meu charo redactor. Quando tracei a correspondencia para o n.º 972 d’este jornal, já sabia a quem me dirigia e o que tinha de esperar do sr. Carrilho Videira, porque todos temos visto a guerra que este sr. promove contra os que não se querem sujeitar ás suas imposições; comtudo julguei que este cidadão me respondesse como homem e não como uma ribalda das mais desbragadas. A resposta do sr. Carrilho apenas serve para confirmar as minhas asserções, as quaes sustento até que se justifique, o que eu muito estimarei, porque o meu desejo é descobrir aonde existe a calumnia, a intriga e os intrigantes. É calumnia o que avancei na minha correspondencia de 15 do corrente? Então o sr. Carrilho não teve conhecimento de correr o boato de que conferenciava com o sr. Sampaio?! Foi sabido que existia na redacção do Bandeira um escripto relativo a este boato, e tanto isto é verdade que o mesmo sr. Carrilho soube da proveniencia do citado escripto; será isto calumnia, cidadão? Será calumnia a sua expulsão d’entre os da rua do Norte, tal e qual eu disse, embora lhe fizessem injustiça? Não disse o sr. Carrilho, no centro da calçada do Cascão, que o sr. Antero do Quental e o sr. dr. Maia eram uns falsarios e que por causa d’elles se tinha perdido a eleição do sr. Theophilo Braga? Não é o mesmo sr. que hoje vota a alliança com aquelle, que ha poucos dias appellidava de falsario? Ou o sr. Antero do Quental não é hoje o mesmo cidadão que era hontem? Responda ás minhas perguntas, mas responda como cidadão; dê uma resposta categorica e não me responda com evasivas insolentes, menos dignas de um cavalheiro que o preza. Sustento o que disse, repito, e se o cidadão Carrilho Videira se justificar d’estas e outras accusações que lhe teem sido infligidas, encontrar-me-ha ao seu lado combatendo os falsarios, aquelles que procuram pelo meio da intriga inutilisar os homens que advogam os principios republicanos — a causa do povo — a causa da humanidade! Do contrario lançar-me-hei na sua frente e será considerado como inimigo dos principios que acaba de exarar. Fez mal em parar com as investigações a meu respeito, porque se eu fui infeliz em lhe chamar [ilegível], o cidadão não foi mais feliz ao dizer que eu tenho protecções e conhecimentos dos americanos, se bem que não tenha desprezo em ser cocheiro, porque ha cidadãos tão honrados como os dos livreiros. Concluirei devolvendo ao sr. Carrilho Videira as grotescas phrases com que se dignou responder-me e espero a sua justificação, se é que a tem. Como dissemos em a nossa ultima correspondencia, reuniu-se em nova extraordinaria, na segunda feira 18 do corrente, a assembléa geral do centro republicano de Lisboa afim de resolver sobre a eleição do sr. Eduardo Maia. Presidiu o cidadão Sousa Brandão, e serviram de secretarios os cidadãos dr. E. Maia e Paulo da Fonseca. Tomaram a palavra os cidadãos Castello Branco, Eça Ramos, e o cidadão Silva, delegado do centro federal, que participou á assembléa que o centro federal sustentava inabalaveis as suas resoluções com respeito á candidatura do sr. dr. E. Maia. A assembléa tomou conhecimento do que acabava de expor o cidadão Silva. Foi muito discutido este assumpto sem que porem houvesse resolução definitiva. Creio que este importante assumpto terá de ser votado na próxima reunião que terá logar na segunda feira 2 de setembro. M. Bruno.