ALJUSTREL
25 de agosto. Continuando na questão do director do correio d’esta villa diremos que a maledicencia occupou o logar que a ordem das cousas lhe destinou e é por isso mesmo que ha já bastante tempo se tem feito uma guerra infame a este empregado só porque tem a fortuna de voltar a costas a tudo quanto é infame e vil, como são os seus inimigos. Um dia appareceu uma queixa dada na administração do concelho, no ministerio das obras publicas, para onde foi remettida com a maxima brevidade pelo então governador civil visconde da Boa-Vista, contra o director do correio, dizendo que elle no dia 16 de outubro de 1877 não estava na repartição e que o queixoso sofrera prejuizo em não remetter nesse dia um vale de correio; veio a queixa para se lhe responder e prova-se que no dia 16 de outubro passou um vale a favor do queixoso. Mais tarde appareceu outra e uma syndicancia á direcção do correio e prova-se ainda que a calumnia não desamparou a victima. Agora prepara-se novo drama e, apesar dos muitos ensaios que teve, os auctores vão caindo no ridiculo de um máu desempenho. O carteiro, fazendo a distribuição da correspondencia, entregou á creada do sr. Cardote uma carta; ella recebeu-a e quando o empregado ia já a alguma distancia começou a gritar que a carta estava aberta. Mas quem lh’a viu abrir? E quem prova que foi o director do correio? Não temos tempo para mais e nos tribunaes ajustaremos as contas. A respeito do sigillo da correspondencia, que é outro ponto da accusação, falaremos no proximo n.º, e o publico vá tomando nota de tudo isto para ajuizar as considerações que havemos de fazer.