Aljustrel
Aljustrel 29 de setembro. (Continuado do n.º 980.) Tendes provado por todos os meios ao vosso alcance que todos aquelles que se envolveram n’este negocio não estão esquecidos, e que só esperaes occasião propria para lh’o mostrardes. Precisando Domingos José Rodrigues que o sr. Cardote lhe passasse uma certidão foi á casa d’elle e depois d’ella passada, como era do seu dever, perguntou quanto era; está paga, disse o sr. Cardote; paga? sim sr., paga, não se lembra que m’a pagou na Minhotinha? A Minhotinha é o vivo diabo para o pobre padre, Figueiredo e sucia; hade, se não tratarmos de partir os braços a esta catiia de intrujões, ser um flagello constante para nós. Cum respeito ao ultimo periodo da correspondencia, deixemol-o sonegado, basta como resposta que o leitor imparcial o leia, e depois de bem combinar as cousas nos dirá quem tem razão, e de que meios o homem Figueiredo quer já lançar mão. Pensa que nos intimida ou ao ex.mo administrador central do correio de Beja, com a certidão que diz ter requerido. Pobre louco! Continuemos com o libello. O caso da prisão de Joaquim Cabeça de Ervidel, deixando um companheiro d’este tão culpado como elle em perfeita paz; fuga de dois presos e a prisão d’outro que bateu o cão d’uma espingarda para o regedor e os cabos que o deixaram fugir, passar sem punição, quando dias antes Cabeça ia debaixo d’uma escolta para a cabeça de comarca; é o acto mais revoltante, a acção mais indigna para uma auctoridade que se quer prezar, que nós até hoje conhecemos! Só um despota, um ignorantão chapado ou um louco incuravel é que pratica actos desta ordem. Uma auctoridade assim é um veneno no meio da sociedade que a vae corroendo a olhos vistos; é um provocador porque chama os seus administrados á rebellião e á desordem porque nem sempre se pode soffrer despotismo feroz de um homem que nós julgamos completamente perdido. Ouve mais. Um dia appareceu aqui um tal Valentim de Beringel, e que se occupa na venda ambulante de louça. O homem que trazia dois burros com a louça, depois de a vender entregou-se ás caricias de Baccho e embriagou-se. A consequencia da embriaguez foi elle vender um dos burros a Francisco da Palma e o outro a Antonio Joaquim Godinho do Barahona Junior, actual vice-presidente da camara. Figueiredo que sabe d’isto mandou chamar Palma e mette-o na cadeia, embora elle lhe provasse que tinha dado pelo burro o seu justo valor, e deixando ficar em casa muito socegado da sua vida o sr. Barahona, menino de coro do sr. Cardote. Soube ainda que Francisco da Quinta tinha vendido a Valentim presunto, pão e vinho, mandou chamar e lá foi para a cadeia. Outra tibia comprada ao [ilegível], uma gorpelha e lá foi para a cadeia; outra a quem Valentim tinha emprestado 500 rs. lá foi para a cadeia, em fim se Valentim caía na asneira de ir á missa, era o sachristão tambem preso por ser seu acolyto, não tendo duvida o sr. Cardote porque era de Figueiredo o seu anjo mau. Porque é que Palma foi preso e Barahona não? Quem o excluiu da lei geral em materia criminal? Pois o crime d’um não era o crime do outro? Até ha mais, se houve dolo na compra, foi da parte de Barahona porque foi muito mais barata. Mas perguntamos ainda: porque não foi preso Barahona assim como os outros? Responde grande despota: foi porque receavas indispor-te com o padre? Tinhas medo que elle te voltasse as costas? Pobre Figueiredo, ainda elle hade publicar a corda que te hade enforcar a um poste de ignominia! Dize ao sr. Adriano Machado que o mande para Avintes com a obrigação de elle te abandonar, e verás se elle tem duvida em o fazer. Vae muito longa esta, terminemol-a perguntando-te que tal tem sido a correspondencia enviada d’esta villa pela ambulancia. Deve dizer bonitas cousas não diz? O Antonio Joaquim é fustigado sem dó nem piedade, mas deixa-os que os creditos que elles tem por esse mundo, os roubos que elles tem feito a este concelho, põem Antonio Joaquim a salvo da sua cobertissima infamia. Saude luneta. Teu Fuças.