Mandamentos do proprietário
Diga meu menino quantos são os mandamentos da lei de Deus! — Dez. — Muito bem: diga-os lá. — Olhe a fallar a verdade, não me lembra bem, mas se quer posso-lhe dizer os do proprietário; é a razão favorita do papá. — Pois diga; sempre quero ouvir. Primeiro: amar o dinheiro sobre todas as cousas, e ao proximo como a nós mesmos, excepto aos inquilinos. Segundo: não jurar diminuir a renda das casas, ainda que se vá para as profundezas dos infernos. Terceiro: guardar as festas, isto é, as subidas dos alugueis. Quarto: honrar como bom filho o interesse e ambição. Quinto: não matar com o trabalho nem a pedreiros, nem a carpinteiros. Sexto: guardar com amor o dinheiro. Setimo: não furtar, mas augmentar a renda o mais possível. Oitavo: não levantar as casas senão até ás nuvens. Nono: não desejar a propriedade alheia, quando estiver arruinada. Decimo: não cobiçar as cousas alheias, sem contar os bens dos inquilinos que pelo arrendamento ficam sendo proprios. Estes dez mandamentos encerram-se em dois, que vem a ser: amar e servir o ídolo dinheiro e querer aos haveres alheios como aos proprios. (Gazeta de Portugal)