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Beja · Lisboa · Porto · Portugal Câmara Municipal · Moderno

Uma folha affecta á actual situação politica, o Diario Economico, sob o titulo A reforma do codigo administrativo, diz o que se segue: «Uma das reformas indispensáveis e que está consignada no programma do partido progressista, é sem duvida a do codigo administrativo. Codigo que pelas alcavalas e arbitrariedades a que dá logar, attesta uma das glorias do partido regenerador, d’esse partido que durante oito annos tanto abusara do paiz para satisfazer ás loucuras e ás ambições dos seus apologistas. Os factos que se teem passado mostram á evidencia a imperiosa necessidade dessa reforma que virá acabar com abusos sempre condemnaveis, com arbitrariedades que tornam o escandalo, com a anarchia existente entre corporações locaes, com a influencia dos modernos capitães-móres de aldeia que, muitas vezes por mesquinhas vinganças, e outras vezes por trica politica, impõem o seu voto ás deliberações justas e legaes das vereações tomadas em nome dos interesses e dos melhoramentos das localidades. Ainda ha pouco que a imprensa portuense se pronunciou com justificada rasão contra as proezas, ilhas sem duvida da trica politica, da junta geral do districto que, em logar de ser, como a de Lisboa, cautelosa no exercicio da sua auctoridade, entendeu collocar a illegalidade acima da justiça. Ás proezas da junta geral do Porto temos agora de juntar as da junta geral de Beja, e juntaríamos as de Castello Branco e as das juntas geraes d’outras localidades se n’o permittissem as dimensões da nossa modesta folha. A camara municipal de Beja, no interesse em que anda empenhada para concluir o edificio das suas sessões, apresentou á junta geral o orçamento supplementar, entregando-lhe igualmente o projecto definitivo da obra, firmado pelo engenheiro, na esperança, fundamentada pela rasão, de que a junta, restringindo-se ao assumpto, fosse cautelosa na sua resolução e examinasse, como lhe competia, se n’esse orçamento tinham ou não sido observados os requisitos legaes, e desse o seu voto, ou lh’o negasse em caso contrario.» No orçamento ainda, dizia o Diario Economico, figurava a verba relativa á collocação em uma das sallas do edificio em construcção, dos retratos dos mais distinctos filhos de Beja, taes por exemplo Amador Arraes, Jacinto Freire, dr. João Affonso, Antonio de Gouveia, etc., pagando assim a municipalidade um tributo de homenagem e de respeito á gloriosa memoria d’aquelles que tanto ennobreceram a historia e a terra que os viu nascer, que lhes serviu de berço e os bafejou com as puras auras de liberdade. Mas querem saber o que fez a junta geral? Fallam melhor do que nós o Bejense. E o artigo conclue que a reforma do codigo administrativo é de necessidade urgente e imperiosa.