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A oração dominical

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A oração dominical, diz Chateaubriand, é a obra de um Deus que conhecia todas as nossas necessidades. Que se pesem bem as suas palavras. “Padre nosso que estaes nos céus.” Aqui reconhece-se um Deus unico. “Santificado seja o vosso nome.” Culto que se deve á divindade; vaidade das cousas do mundo; Deus só merece ser santificado. “Venha a nós o vosso reino;” a immortalidade da alma. “Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu.” Palavra sublime que comprehende os attributos da divindade, santa resignação que abraça a ordem physica e moral do universo. “O pão nosso de cada dia nos dai hoje;” como isso é pathetico e philosophico! A unica necessidade real do homem é um bocado de pão, e ainda este lhe não é necessário senão no dia de “hoje”, porque não sabe se amanhã existirá. “Perdoae-nos as nossas dividas assim como nós perdoamos aos nossos devedores;” é a moral e a caridade em duas palavras. “Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.” Aqui revela-se o coração humano, aqui mostra-se o homem e toda a sua fraqueza. Não pede para vencer, pede para que o não tentem e o livrem do mal. Só Deus, que creou o homem, o podia bem conhecer.