Festividade
No domingo 4 do corrente teve logar na igreja de Santa Catharina, extra muros d’esta cidade, a Festividade de Nossa Senhora da Ajuda. Os seus confrades fizeram o que lhes foi possível para que a decencia e o apparato religioso correspondesse ao objecto a que dedicavam seus cultos. Pregou o R.ᵐᵒ vigario geral do bispado o sr. abbade das Chans, que, não desmentindo o conceito que se fez formar na primeira occasião em que subio n’esta cidade á cadeira evangelhica, acreditou mais agora aquelle conceito. Boa expressão, voz clara, linguagem castigada, e outras condições que reune fazem augmentar-lhe o auditorio, que concorre de proposito a ouvil-o. De tarde houve procissão pelas ruas da cidade, na qual a imagem de N. S.ª, e bem assim outros andores, eram conduzidos; e atraz do pallio, debaixo do qual era levado o SS. Sacramento, uma guarda d’honra do batalhão de caçadores 8 fechava todo este préstito religioso. A banda de musica da sociedade artistica de Beja ia na frente d’esta procissão; e tanto então como no sabbado á noite, assistindo ao fogo de vista com que os confrades divertirãm o povo, que concorreu em grande numero áquelle sitio, não cessou de tocar com merecido louvor. Não nos pronunciamos contra as procissões. A santa Egreja não as reprova; ellas podem demonstrar o triumpho das idéas religiosas e a crença dos povos contra os inimigos da Fé e da Egreja; mas quizéramos que ellas fossem feitas com grande concurso de confrades. Notamos pouca gente incorporada no préstito processional. Se pois os confrades não são em numero bastante para fazer respeitável a procissão, aconselharamo-lhes que a despeza da procissão a empregassem no culto da sua respectiva imagem dentro da Egreja, ou em obras de caridade evangelhica em honra da Senhora, antes do que fazer huma procissão pequena sem o devido apparato, e cuja falta tira um tanto de veneração e respeitabilidade aos altos objectos que ali são levados expostos á adoração publica.