MACHINA DE DEBULHAR Chegou a Beja na terça feira á noute a machina de debulhar do Centro Agricola Industrial, de Lisboa, a que nos referimos no nosso ultimo numero. Procedeu-se em seguida á descarga dos apparelhos e no domingo 18 começou a debulhar o trigo do sr. visconde da Côrte. Este cavalheiro, todos os lavradores mais abastados da localidade como os srs. Francisco Penedo, Fernandes, visconde da Boa Vista, Palma e muitos cultivadores dos ferragiães de Beja acceitaram com a melhor boa vontade a introducção d’esse melhoramento nos seus processos de colheita e, segundo nos consta, desejam debulhar á machina lamentando só, alguns d’elles, que as circumstancias não permittissem o trazer-se mais cedo para Beja a machina. Todas as pessoas que examinaram o resultado das primeiras experiencias do trabalho da machina ficaram perfeitamente satisfeitas. O fabrico das palhas que trazia os animos geralmente indecisos excedeu a espectativa geral e hoje a palha fina da machina tem em Beja um valor bem superior a qualquer outra palha feita a trilhos ou por animaes. A quantidade de trigo partido pela machina, outro ponto sobre que convergiam as attenções, é tão minima que o sr. visconde da Côrte não julgou necessario fazer-se a separação d’elle senão em 4 moios de trigo especialmente destinado para semente. N’essa separação e com aquella especie de trigo (preto) produziu a machina: 1.º—Trigo apurado para semente sem nenhum bago partido—moios 4. 2.º—Trigo de segunda classe com algum partido, muito pouco—moio 1 1/2. 3.º—Limpadura (trigo muito partido e sementilhas diversas)—alqueires 4. O apuro do trigo e a sua perfeição é tal que inquestionavelmente o lavrador pode exigir pelo trigo da machina mais 10 a 20 reis em alqueire do que o preço corrente, quando o queira vender e sem que o comprador fique de modo nenhum prejudicado. Demonstra-se á evidencia, ainda que a perda em trigo é nulla ou quasi nulla na debulha com machina. Desejaríamos com prazer que se fizesse este anno uma experiencia comparativa, com trigo da mesma ceara, para se avaliar com aproximação a differença para mais do rendimento da debulha na machina sobre a do calcadouro. Lembramos isto ao nosso bom amigo o sr. engenheiro Sequeira, como um facto curioso a registar e determinar. Cumpre-nos antes de concluir esta noticia, felicitar os habitantes de Beja, pelo bom acolhimento que teem feito á introducção de tão importante melhoramento agricola, e bem assim ao Centro Agricola e ao sr. engenheiro Sequeira, pela iniciativa que tomaram para se conseguir esse fim.
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