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Acontecimentos na Europa

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Somos ainda obrigados pela força das circumstancias a fallar dos successos de França e portanto da execução do segundo decreto de 29 de março, a qual começará por todo este mez. O ministro da justiça, e a este respeito, já conferenciou com os directores de segurança publica, dos cultos, do pessoal e com outros funccionarios; em seguida á conferencia expediu o ministro as suas instrucções aos prefeitos, indicando-lhes a conducta que devem seguir. A questão Oriental que tanto tem preocupado a imprensa europeia, pois está agora, e com a attitude dos ultra-radicaes, preocupando seriamente o povo francez. Ninguem por certo ignora é que os habitantes de Dulcigno dirigiram um protesto aos consules de Inglaterra, França, Italia, Allemanha, Austria e Russia, o qual sahiu no Times, protesto que os radicaes e ultra-radicaes receberam com entranhado jubilo fazendo immediatamente com elle arma de combate para atacarem o governo. As recentes noticias de Constantinopla dizem que os embaixadores das potencias entregaram ao ministro dos negocios estrangeiros uma nota collectiva em resposta á da Porta, sobre a questão do Montenegro. Essa nota confirma absolutamente as precedentes, o que dá logar a acreditar que a Europa não fraquejará na politica, cuja iniciativa lhe pertence. Mas a verdade é que o tempo passa, e o momento supremo aproxima-se. O governo ottomano espera, provavelmente, com a estação do outono, paralisar a esquadra europeia nas aguas do Adriatico, e deve confessar-se que o calculo é habil. Estas noticias, como facil era de prever, causaram agitação entre os ultra-radicaes e em Paris tentaram fazer um meeting, que foi prohibido pela auctoridade, no qual e como fizeram annunciar seria a politica do governo aggredida ao passo que se pediria que adaptasse uma politica totalmente differente da que tem adoptado na grave questão que se debate no Oriente. Conforme, pois, se vê, estes factos importantissimos e não convem ser por forma alguma olvidados. Uma nova phase e esta de maior gravidade para a Turquia vae ao que se nos afigura apresentar a questão do Oriente. Dizem agora os telegrammas de Constantinopla, de Londres e Paris que as potencias, por proposta do gabinete inglez, mostram-se de accordo em bloquear Smyrna e Salonica e cobrar os direitos das alfandegas turcas para pagar aos credores da Turquia. A Russia e a Italia adhiriram a esta proposta, e, ao que se diz, em todas as potencias ha a firme vontade de manter o accordo Europeu. A ser assim a Turquia ficará ameaçada de ser riscada do mappa da Europa. A République Française, a proposito da ultima nota da Turquia, diz que o sultão está soffrendo de alienação mental, e que as potencias só devem deliberar a este respeito. As folhas de Londres mostram-se firmes no accordo das potencias no sentido de conservação da paz europeia. A questão vae pois offerecendo o maximo interesse. A mobilização do exercito e a instrucção dos recrutas fazem progressos notaveis, segundo escrevem d’Athenas á Allgemeine Zeitung. A universidade addiou para a epoca indeterminada a abertura do seu curso, porque a maioria dos estudantes alistou-se no exercito e muitos professores acudiram egualmente ao appello da patria. É incontestavel que este bom exemplo produziu nas provincias profunda impressão, sem contar que estes exemplos já mais ou menos instruidos levam ao exercito uma força moral que lhe duplica o valor. Eis um assumpto de summa importancia e que nos corrobora a nossa opinião por vezes expendida de que as divergencias entre os gabinetes hellenico e ottomano só pelas armas poderão ser resolvidas. O arredondamento das fronteiras gregas é uma questão que tem de ser resolvida para cumprimento do tratado de Berlim. A Grecia não abdicará por certo dos seus direitos e mal andará a Turquia se deixar de cumprir com todas as deliberações da conferencia. A Europa, em face da obstinação da Porta na questão de Dulcigno, está resolvida a proseguir com energia na total execução das medidas tomadas em Berlim para a consolidação da paz no Oriente.