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Beja 17 de dezembro

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Beja · Portugal

Lê-se na ultima ordem do exercito: «Hei por bem, tendo ouvido o conselho de ministros, suspender a execução do decreto de 10 de setembro ultimo e dos mais que a elle se referem, pelos quaes foi concedida indemnisação de preterição para effeitos de reforma a diversos coroneis de infantaria, até que, depois de consultadas as estações competentes, se adopte sobre o assumpto resolução definitiva. O ministro e secretario de estado dos negocios da guerra assim o tenha entendido e faça executar. Paço, em 9 de dezembro de 1880.—REI—José Joaquim de Castro.» Declara, portanto, o governo que despediu o sr. João Chrysostomo por uma conducta que não sabe qualificar num julgar. E’ uma comedia! O sr. João Chrysostomo, diz o Jornal da manhã, consultou a secção consultiva do conselho de estado, que julgou justa a reforma dos coroneis com o voto do sr. Braamcamp, presidente do conselho de ministros; o governo deixa passar alguns dias sobre as concessões sem as condemnar, e por ultimo, reune-se em capitulo, vota contra ellas, censura-as em termos taes que o ministro da guerra se demitte, sendo a demissão immediatamente acceite, e, passados bastantes dias depois de resolvida a crise, vem o governo declarar em um decreto que não sabe se haveria motivos para censurar como censurou o sr. João Chrysostomo, e que não sabendo qual o direito a observar, vae ouvir umas estações, e emquanto as não ouve, suspende o que não entende! Mas que estações serão as que o governo vae ouvir? Haverá alguma acima da secção consultiva do conselho de estado? Ninguém sabe da existência d’essas estações mais superiores. Então o governo consulta com certeza as instancias inferiores. E hade regular-se por ellas? Ahi temos nós a primeira instancia acima da suprema! Assim não será de admirar que, regulando-se em outro assumpto pelo supremo tribunal de justiça, mandem ouvir os juizes ordinarios! A ignorancia arrasta a estas miserias, a estas vergonhas, a estes contrasensos. Mas qual ignorancia, nem meia ignorancia! O que anda nas questões é a velhacaria e a immoralidade. O verdadeiro escandalo commetteu-se n’este decreto. O novo ministro revela que se sujeitou a ser um automato ou maniquim. Fez o que lhe mandaram. Será bemquisto pelos seus collegas, mas fará uma figura triste perante o paiz e o exercito.