Empréstimo de D. Miguel
Paris, 18, t. Camara dos deputados.—O sr. Marion interrogou o ministerio relativamente á petição da junta dos possuidores do empréstimo portuguez de 1832, e queixou-se de que o gabinete tivesse rejeitado essa petição, fundando-se n’uma resolução do senado no tempo do imperio. O sr. Rouher, bonapartista, observou que era innopportuno discutir o credito de Portugal no momento da emissão d’um emprestimo portuguez. O sub-secretario do ministerio dos estrangeiros certificou que o ministro dos estrangeiros tem dado sempre a mesma resposta ás pretenções dos possuidores do emprestimo de 1832. Accrescentou que quando os interessados appellarem para a equidade e benevolencia do governo portuguez, o governo francez estará prompto para os apoiar. O sr. Marion quiz insistir, mas, ante as reclamações da camara, retirou a sua pergunta ao governo, declarando que apresentará ulteriormente uma interpellação. Afirma-se que a opinião do procurador geral da coroa é que seja mantido o decreto que concede aos coronéis de infanteria a garantia de reforma em generaes de divisão. Ora sendo assim a logica pede que volte a dirigir os negocios da guerra o sr. João Chrysostemo. Isto vae divertido. Segundo lemos em uma folha lisbonense estão concluidas as negociações sobre o tratado de Lourenço Marques. Parece que ha um artigo reversaI em que se inserio que o tratado, em vez de ser de duração limitada, passa a ficar sujeito á revisão de 12 em 12 annos; e tambem á passagem de tropas, ao estabelecimento de armazens em territorio portuguez, e a outros pontos, que, por obscuros ou omissos, se prestavam a interpretações contrarias aos nossos interesses, se fizeram acclarações.