A sessão de sexta feira foi cheia. Ora vejam: Levantou-se um deputado flôr e nata dos regeneradores, o sr. Heintz, e perguntou ao sr. ministro da fazenda porque é que tinham sahido da alfandega, sem pagarem direitos, os moveis de um tal Alves. Um outro regenerador, e tambem flôr e nata do partido, o sr. Lopo Vaz, respondeu, que o tal Alves pagára o que devia, e que o sr. ministro da fazenda nem visto nem achado tinha sido em tal negocio. O sr. Heintz não gostou da resposta e voltou a atacar o ministro por causa da nomeação de um escrivão de fazenda; o ministro fez ouvidos de mercador o que indignou o sr. Arrobas a ponto de romper na cantata varadas no ultramar, acompanhando-o o sr. Julio de Vilhena. Ora o sr. Julio, que defendeu a pena de morte, a gritar contra o castigo da chibata tem graça. Sabado não houve incidente digno de menção. Apenas o sr. Fialho Machado perguntou pela commissão de syndicancia ás secretarias de estado e pela historia de uns roubos na direcção geral dos telegraphos e de outros na administração geral das mattas. O governo porém, que foi prodigo de accusações de roubos, agora acha que tudo anda regularmente, de fórma que as interpellacões do sr. Fialho Machado, que declara nobremente que não sahirá da camara com o estygma do calumniador e que ha de ver provadas as accusações que se fizeram, incommodam-no grandemente. E tão incommodado ficou, que o sr. Candido de Moraes, administrador das mattas, perdeu a cabeça e declarou que, se alguem dissesse que houvera roubos nas mattas, esse alguem mentia. Ora o que é curiosissimo é que, segundo o que se dizia, quem pronunciára a phrase terrivel fôra o proprio sr. Candido de Moraes! Segunda feira começou a discussão da resposta á falla do throno, documento que lemos no Progresso e que maioria e minoria podiam votar sem escrupulos. Pois talvez por isto mesmo está sendo discutida cabendo ao sr. Dias Ferreira a honra de abrir os debates. O nosso chefe, percorrendo em rapido esboço os diversos actos da administração granjola, deixou o ministerio em deploravel situação, como era de esperar. O discurso do sr. Dias Ferreira, condemnando a fornada, as reformas disparatadas do correio e telegraphos, o decreto dos coroneis, o estado singular da fazenda publica, o antagonismo politico dos diversos membros do poder executivo, etc., foi verdadeiramente notavel. Respondeu-lhe o sr. José Luciano, cujo estado de saude não tolera ainda os arrebatamentos do seu genio impetuoso. Talvez por isso, e attentas as difficuldades da defeza, o sr. ministro do reino não conseguiu estar ao nivel dos argumentos do seu talentoso adversario. Seguio-se o sr. Rodrigues de Freitas: mostrou receios de que a reacção religiosa ganhasse terreno entre nós e referindo-se especialmente ás palavras do sr. ministro do reino, estranhou que elle dissesse que em 1880 não podia a reforma da carta ser feita, porque a situação da fazenda não o consentia, quando em 1873 menos o consentiria, e notou a incoherencia dos collegas. O orador foi por vezes interrompido, levantando-se grande tempestade nas bancadas da maioria. Teve depois a palavra o sr. Marianno de Carvalho, tratando mais de accasar os actos do partido regenerador que de defender os do governo. O seu discurso foi muito notavel pelo vigor da aggressão. O sr. Pinheiro Chagas seguio-se com a palavra. Começou por dizer que a opposição promovendo uma crise politica fazia o seu dever, porque está convencido de que da queda do governo dependia a salvação economica do paiz. Lamentou que os homens que combateram a situação regeneradora viessem defender a fornada com o exemplo desse governo, devendo elle, orador, declarar que durante oito annos o partido regenerador não fizera metade dos pares que o partido progressista fizera n'um anno. Castigava o governo com demissões todos os governadores que no ultramar haviam mandado applicar o castigo de varadas, mas galardoava o sr. visconde de S. Januario com o logar de ministro, e o sr. Francisco Maria da Cunha com o pariato, naturalmente porque estes cavalheiros, na qualidade de governadores, haviam mandado applicar aquelle castigo, e concluiu observando que o governo tem estado a praticar os mesmos actos que condemnava no partido regenerador. Fallou depois o sr. Antonio Candido, que apresentou a seguinte moção: «A camara confiando plenamente no procedimento politico do governo, cuja conservação considera necessaria aos interesses publicos, passa á ordem do dia.» Quanto á fornada, disse que o governo viu-se na necessidade de propor á corôa a nomeação de mais pares por isso que o partido regenerador estava ali em grande numero, e o governo não podia ter a certeza de encontrar n'aquella camara o apoio decidido ás suas medidas. O sr. Thomaz Ribeiro fez largas considerações mostrando a situação em que o governo se achava collocado pelos seus actos e pela defeza dos seus amigos. Hontem houve trabalhos em commissões e hoje continua a discussão.
Artigo
Acidentes e sinistrosArqueologia e patrimónioEconomia e comércioJustiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoReligiãoSaúde e higiene públicaTransportes e comunicaçõesAcidentes de trabalhoCheiasCorreioDebates políticosDecretos e portariasDescobertas e achadosFeirasFurtos e roubosMercados e feirasNomeações eclesiásticasQuedasRestauro e conservacçãoSessões da câmaraTelégrafoTempestades