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As folhas parisienses preoccupam-se muito com os acontecimentos em Tunis os quaes de dia a dia tomam caracter mais grave. A questão comquanto não seja de caracter puramente internacional comtudo a imprensa franceza considera-a altamente importante para os interesses da França. Conforme um telegramma de Roma o sr. Cairoli respondendo a uma interpellação sobre esta questão disse que não é possível negar o direito da França a reprimir taes desordens; accrescentou, porem, que a França declarou formalmente á Inglaterra e á Italia que se não apossaria de Tunis. Estas palavras, conquanto sejam interpretadas por differentes fórmas, causaram boa impressão em todos os centros do mundo politico e diplomático. Na fronteira tunesina os combates teem sido amiudados, e, não obstante não serem classificados como batalhas em regra, as folhas de Paris são unanimes em reclamar para honra da França que haja a maior actividade na remessa de reforços para Argelia. Eis como a imprensa falla dos ultimos successos: Os krumires tinham concordado em pagar ás tribus francezas da Argelia uma indemnisação, pelos damnos que lhes haviam causado em recentes incursões no seu territorio. Parecia o conflicto inteiramente concluído quando, contra toda a espectativa, os krumires resolveram fazer uma nova surpresa aos Ouled-Nehôd, e atacaram-nos no dia 30 em El-Aioun, em numero de quatrocentos a quinhentos. Á primeira noticia d’esta aggressão, uma companhia do 59.º regimento de linha, de guarnição em Bone et Stora, e uma outra do 3.º de zuavos marcharam immediatamente para o logar do conflicto. No dia seguinte os krumires, tendo recomeçado o ataque, encontraram pela frente os soldados francezes e depois de uma lucta que durou onze horas, tiveram que desistir do seu intento. As companhias francezas tiveram 4 mortos e 6 feridos, mas os krumires soffreram perdas consideraveis na razão da superioridade do armamento dos adversarios. Constando que algumas outras tribus pareciam dispostas a auxiliar os aggressores, convergiram immediatamente para aquelle ponto da fronteira reforços partidos de Bone, Calle, Tarf e Constantina. O general Rister tomou o commando de todas as forças reunidas em El-Aioun e dispõe dos elementos sufficientes para evitar toda a nova invasão da fronteira franceza. Um despacho de Argel affirma que a linha ferrea da fronteira da Argelia a Tunis está ameaçada pelas tribus tunesinas, e que vão ser tomadas medidas energicas para a proteger. Algumas folhas de Paris sustentam que, para reprimir efficazmente as tentativas audazes dos tunesinos, não basta guardar a fronteira, mas é necessario transpor esta e ir castigar os aggressores no seu proprio territorio. Segundo um telegramma da Agencia Havas: O coronel Brugel, official ás ordens do presidente da republica, já partiu afim de assumir o commando do corpo expedicionario francez em Tunis. Muitos tunesinos partiram da capital da regencia para juntar-se aos krumires. A administração do caminho de ferro de Tunis apprehendeu uma caixa contendo 150 kilos de balas, enviada para as tribus krumires por um judeu tunesino. Os jornaes de Argel certificam que a acção emprehendida pela França é em sua legitima defeza. Declaram que o bey deve unir as suas tropas ás nossas para castigar severamente os krumires, e acrescentam que a abstenção do bey será considerada como hostilidade. O governo activa os reforços para Argelia, mas, e ao que se julga, os tunesinos entrarão em negociações para a paz e as hostilidades é de esperar que não tomem maior importancia. A imprensa allemã, principalmente as folhas conservadoras, fallam ainda com interesse dos acontecimentos de S. Petersbourg que em Berlim causaram a mais viva sensação. Os deputados conservadores e ultramontanos em vista do importante successo — o assassinato do Czar — reuniram por varias vezes para discutirem a questão dos damnos que para a segurança publica resultam do emprego abusivo das substancias explosivas. Foi resolvido que se apresentasse ao reichstag a moção convidando o chanceller a promover um accordo com as outras potencias, em virtude do qual todos os estados que se associem a este pacto se obriguem a punir severamente todo o assassinio ou tentativa de assassinio contra qualquer soberano ou chefe de estado, ainda que não chegue a ter principio de execução, toda a provocação publica á perpetração d’aquelle crime, e isto não só relativamente aos criminosos nacionaes, mas tambem aos estrangeiros residentes no territorio dos mesmos estados; e igualmente se obriguem á extradição de todo o estrangeiro réo do dito crime, quando lhe seja requisitada pelo governo da nação a que elle pertencer. Esta proposta ia ser apresentada immediatamente ao reichstag pelo sr. Windthorst. Assim, affirma um jornal que foi o sr. de Bismark quem instigou os seus amigos a promover estas reuniões e estas resoluções. A moção apresentada pelo sr. Windthorst foi, segundo um telegramma, approvada pelo reichstag. Fallemos agora da questão do Oriente: Mais uma resolução do tratado de Berlim foi levada á realidade. Referimo-nos á elevação do principado da Roumania á cathegoria de reino, facto de que por absoluta falta de espaço deixámos de mencionar em a nossa preterita revista. Emquanto os montenegrinos, os dolmatas conseguiram já vêr realisadas as medidas de segurança de liberdade, de independencia e augmento de territorio sancionadas no tratado de Berlim, a Grecia lucta ainda por obter do gabinete ottomano o arredondamento de suas fronteiras, e esta questão, que é de maxima importancia para os interesses dos gregos, continua a apresentar de dia a dia maior gravidade. As negociações com o gabinete de Constantinopla continuam e a ultima proposta turca, consistindo na annexação da Thessalia e da parte sueste do Epiro, sobre a margem do Arta, á Grecia, foi submettida pelos embaixadores á apreciação dos seus respectivos governos. Comprehende 15 a 16 mil kilometros quadrados. A ilha de Creta e Prevesa ficarão na posse da Turquia. As fortalezas de Prevesa serão demolidas. Os muçulmanos de Creta protestaram contra a cedencia eventual d’aquella ilha á Grecia.