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Artigo

Exequias

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Lisboa · Portugal Governo Civil · Igreja · Interpretacção incerta · Telégrafo

O ex.mo vigario capitular d’este bispado mandou celebrar hoje na Sé Cathedral exequias solemnes por alma do nobre duque d’Avila e Bolama. A egreja estava completamente adornada de crepes, e no centro elevava-se uma eça magestosa com differentes emblemas religiosos apropriados e circumdada por innumeras luzes. A urna funeraria era encimada pela corôa ducal envolta em crepes, e coberta por um rico pano de velludo bordado, tendo tambem em cada um dos angulos uma corôa ducal. Compareceu todo o clero da cidade e d’algumas freguezias circumvisinhas. Apezar de não haver tempo para se fazerem convites especiaes, nem para se annunciar esta solemnidade pela imprensa, concorreram differentes authoridades e funccionarios publicos, entre os quaes os ex.mos governador civil, administrador do concelho, commissario de policia, etc., alem de muitos cavalheiros e povo. A missa foi celebrada pelo ex.mo vigario capitular, acolitado pelos monsenhores Ramos Cid e Camacho de Britto, sendo dirigida na parte lithurgica pelo rev.do conego Carreira, mestre de cerimonias da cathedal. No fim da missa teve logar o Castrum dolorie com as competentes absolvições. Terminando este acto religioso, o ex.mo vigario capitular dirigiu á nobre duqueza d’Avila e Bolama um telegramma, que dizia: «Ex.ma Snr.ª Duquesa d’Avila, Lisboa.—Celebrei hoje solemnes exequias na Cathedral por alma do virtuoso marido de V. Ex.ª. Assistiu governador civil, todo o clero, authoridades e povo. Interpretando o sentimento dos povos bejenses, que differentes vezes elegeram deputado o sr. Avila, expresso mágoa geral; compartilho justa dôr de V. Ex.ª; e satisfaço o tributo de gratidão, justiça e saudade, devido á honrada e veneranda memoria do nobre Duque, benemerito da religião, da patria e da familia. Vigario Capitular, Antonio José Boavida.»