Treme mundo de mim
Da Revolução: Diz-se rei morto rei posto — e é essa a ordem do mundo, — «Mendes Leal deixa o pasto?» — «diz o Chrysostomo iracundo — a situação não se aballa; — não cae a ferro nem bala; — p’ra minha e p’ra sua pasta — o meu bestunto só basta. — Olá marujos, arriba! — ferra a gavea! ao pau da giba — não soçobra a embarcação; — meu talento eu não esgoto, — vou ser agora o piloto — da pasta do furacão!» — Do furacão? e eis começa — n’esta palavra a pensar — furacão! eis a promessa — que o meu pobre antecessor — nunca póde executar! — Uma divida em aberto — na pasta que vou gerir? — Serei ministro melhor; — mais tolo, mais esperto; — vou a promessa cumprir. — P’ra inaugurar meu reinado — c’uma medida estrondosa — que atrapalhe o universo, — o que elle sonhou em verso — vou realisal-o em prosa. — Treme tudo em torno a mim — porque o meu poder é tanto — que aos vivos infunde medo — e aos mortos enche de espanto. — Não sou ministro chinfrim, — e a prova: Olá Eolo! — solta lá o furacão, — faz esta terra d’um bolo, — fique tudo em confusão!» — E os ventos obedeceram e toda a terra tremeu! — Se o novo ministro medra — não pode, juro-lh’o eu, — ficar pedra sobre pedra!