Um triumpho
Tivemos de presenciar uma scena imponente e tocante, no julgamento da causa em que era réu o nosso amigo sr. Manoel da Matta Janeiro. A concurrencia do grande numero dos principaes cidadãos d’esta cidade, a presença do Ex.ᵐᵒ Governador Civil e a attitude de todo o auditorio davam áquelle acto uma bem sensivel prova de quanto interesse merecia a todos o réu, cuja innocencia e virtudes publicas e domesticas já eram de ha muito conhecidas. As testemunhas d’acusação foram aquellas que melhor abonaram o procedimento do sr. Matta Janeiro, e o Illm.º sr. Delegado, comquanto obrigado pelo mister do seu cargo a pugnar pela rigorosa execução da lei, foi aquelle mesmo que ali deu franco e leal testemunho da honradez do réu. S. senhoria houve-se com toda a imparcialidade, e foi conciso e fluente na sua pequena oração. Ao illustre advogado—o sr. Barradas—não foi preciso pôr em acção os muitos recursos de sua oratoria, pois que a causa já estava vencida. O veredictum do jury foi unanime em não dar por provado o facto allegado contra o sr. Matta, e o Ex.ᵐᵒ Juiz, absolvendo-o até das custas do processo, coroaram o triumpho que ali recebia d’aquelle qualificado corpo. O nosso amigo foi acompanhado por um grande numero de pessoas até sua caza.