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Madrid · Viena · Alemanha · Áustria · Espanha · Europa · França · Itália Exterior / internacional · Interpretacção incerta

A febre eleitoral domina todos os espíritos. A Hespanha, França e Allemanha preparam-se para a lucta que n’este mez terá logar e n’este assumpto, aliás importantissimo, diversas são as opiniões, ácerca dos seus provaveis resultados. A julgar pelo que vemos nas folhas de Madrid a victoria pertencerá ao governo, mas nas futuras camaras o partido republicano será brilhantemente representado por muitos dos seus mais notaveis athletas. Todos os partidos sem excepção do carlismo que atulha ainda com a resurreição da monarchia tradicionalista e com los foros se empenham na lucta e trabalham com a maxima actividade para o triumpho dos seus candidatos. Na França a mesma actividade se observa. O partido imperialista pensando ainda na proclamação do imperio pede a revisão da constituição e trabalha desesperadamente para a victoria dos seus correligionarios. Com a mesma energia se sustentam os trabalhos nos campos dos mais partidos. O partido republicano, consciente porém da sua poderosa força e confiado nos sentimentos liberaes do povo aguarda o momento decisivo da lucta para entrar abertamente no trilho das reformas que ha muito reclama a França. É indubitavel que a victoria coroará esplendidamente o partido republicano. São diversas as opiniões relativas ao resultado provavel da lucta eleitoral na Allemanha e crê-se geralmente que o príncipe de Bismark se enganará nos seus calculos em poder conseguir obter uma camara a favor da sua politica. Algumas folhas deram curso ao estranho boato d’uma projectada alliança entre a Italia, a Austria e a Allemanha, o qual appareceu após a noticia da conferencia dos imperadores do Norte, facto aliás importante, de que fallámos em a nossa pretérita revista. Sabe-se hoje que tal boato é destituído de fundamento. Ácerca das falladas allianças dizem de Vienna á Gazette de Francfort: «Confirma-se na ministerio dos negocios estrangeiros, que não teem fundamento os rumores de intelligencias entre a Austria e a Italia. O gabinete actual não tem motivos nem desejos de entender-se com o gabinete italiano sobre uma acção politica encaminhada a produzir modificações territoriaes. É verdade, que recentemente, um ex-capitão do exercito austriaco, chamado Herling, sondou o governo com esse fim; porém tudo indica que as suas proposições foram regeitadas. Sabe-se, é certo, que a Italia não excita a Austria a que se engrandeça do lado do Oriente, senão com o fim de occupar, por seu turno, Trieste e o Trentino; isto mesmo justifica a prudencia da Austria.» Desmentido esse boato a imprensa parisiense não deu maior curso, mas vemos que as folhas dos pessimistas fallam com o maximo interesse da entrevista dos imperadores da Austria e da Allemanha procurando encontrar assumpto favoravel ás idéas bellicosas que espalham. É verdade que a respeito da entrevista pouco transpira mas não nos parece que os seus resultados sejam contrarios á sustentação da paz e nada vemos que possa ameaçar os interesses dos conservadores.