Lisboa
23 de novembro de 1881. Este ministerio, á altura da gravidade dos arranjos, começa já a revelar-nos o que d’elle devemos esperar. O ministerio dos basorras foi creado de proposito para matar a hydra da revolução; este, o ministerio dos festeiros de S. Martinho, foram ao poder, para matar esse immenso monstro, para matar o deficit. Nada mais ridiculo e grotesco do que estes baldomeras. São impagaveis. Estes titeres ás ordens do sr. Antonio Maria, teem tanto de parvos, como de malevolos. Mas emfim: ao menos tenhamos ainda algumas esperanças. D’esta vez é que o deficit estica a canella. O caro vae-se deitar a elle como S. Thiago aos mouros; e para começo, já vieram de Londres 100:000 libras. Assim é que é bom. Consta que quem vae para ministro da guerra é o sr. Francisco Maria da Cunha, antigo membro do partido progressista, e recente par do reino. Isto está-se tudo a dissolver. A mania dos arranjos vae sendo moda. Cada um arranja-se conforme póde. Está no levantar da feira. A imprensa assalariada, tem berrado contra o ministerio francez, que é um regalo ouvi-la. Chega a dizer cada parvoice, que causa nojo. E as descobertas que teem feito com relação ao mesmo ministerio? Isso sim; isso é que é obra aceiada. Pois elles até chegaram a descobrir que o ministerio francez é composto de mediocridades, e homens completamente desconhecidos! Pobres tolos. O grande Fontes, e seus titeres é que são intelligentes e grandes estadistas. Mas os francezes prosperam com as suas mediocridades, emquanto que nós cada vez estamos mais empenhados e mais proximos da bancaróta. Quando foi o apuramento dos votos da eleição camararia, viu-se que o sr. visconde de Rio Sado não se achava na lista dos elegiveis; e por esse motivo foi contado para camarista o sr. Elias Garcia como mais votado. Nas eleições da junta de parochia, em quatro freguezias venceram os republicanos; e podiam vencer em todas, ou quasi todas, se trabalhassem com vontade: pois que os amigos do governo, como lhe não cheirava a dinheiro, abstiveram-se de ir á urna. Consta que o partido republicano de Lisboa, quer fazer uma manifestação patriotica no dia 1.º de dezembro. Appoiâmos. Lacerda e Mello.