Baile no Club de Beja em 11 de março de 1865—Ainda mais uma vez os socios do club Bejense tiveram occasião de gosar uma noite de completa diversão. Nem outra cousa havia a esperar, quando pessoas tão delicadas, como os Engenheiros inglezes da via ferrea do sueste de Portugal se empenharam n’isto, com o fim de darem um testemunho de sua gratidão aos socios do club, que teem sabido apreciar os dotes, que tanto os recommendam. Fallamos pois da noite de 11 de março, em que os referidos Engenheiros se dignaram offerecer um baile aos socios do club, e a algumas das primeiras familias da capital, que em comboyio expresso vieram gosar uma noite, senão superior, pelo menos egual áquellas, que passam na capital em diversões d’esta natureza. As salas do club estavam decoradas com bandeiras de differentes nações, a gosto dos dignos Engenheiros, para tornarem o baile mais apparatoso. A concurrencia das madamas e cavalheiros foi grande. As madamas não apresentaram toilettes deslumbrantes, nem ricas, como n’outros bailes, a que já tivemos tambem a honra d’assistir n’este club, porem não as precisavam, porque a singeleza ainda as tornava mais elegantes, e as fazia brilhar, quaes flores louças trajam os prados na primavera, entre os veludos da relva: flores que tanto mais prendem a attenção, quanto mais expostas ás intemperies da atmosphera conservam o brilho, e esmalte, que a natureza lhes deu. Fallando a linguagem da verdade, o concurso das madamas, que com tanta graça davam ás salas ao embriante compasso das Walsas, Schotisches, Galopes, Quadrilhas, Polkas, e Lanceiros, era um ramalhete de ricas e primorosas flores, entre as quaes se contavam á tão sympathicas como interessantes neptas dos ex.mos condes da Lumiares e Farrobo, que tambem trajavam com muita singeleza e graça. A animação foi grande, e no rosto dos cavalheiros e damas estava descripta a satisfação, que os dominava. As diversas familias, que ali se achavam, pareciam constituir uma só, e unidas por mais estreitos vinculos sociaes. E foi assim que Beja deu mais uma prova irrecusavel do seu estado de civilisação e progresso: foi assim que deu mais uma lição ás sociedades, que olham os individuos só por um prisma—o do nascimento—e menosprezam os predicados que os collocam acima de tudo. O serviço foi abundante, e profuso. Das 2 para as 3 horas da manhã foi servida uma lauta e variada ceia, em que se levantaram alguns brindes, já ás madamas de Lisboa, por terem contribuido para a animação do baile, já ás de Beja, e aos dignos Engenheiros. Tanto uns, como outros, foram freneticamente applaudidos. Após a ceia dançaram-se ainda com grande enthusiasmo Polkas, Walsas, e quadrilhas, até que o romper do sol no oriente veio pôr termo a uma diversão, que em março, sem duvida, uma epocha, para Beja, a quem sou estranho, e por conseguinte insuspeito n’esta minha tão ingenua como simples descripção.
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