Artigo
Esperteza de meio tolo
Economia e comércioJustiça e ordem públicaReligiãoAgriculturaFurtos e roubos
Em certa aldeia foi confessar-se um rapazote gordo, roliço, e d’estes que tem lume no olho. Chegou ao confessionario, ajoelhou, e disse o seu confiteor, e logo depois accrescentou: —Accuso-me, padre, de que sou meio tolo. —Meio tolo, filho, e a que chama meio tolo? —A não ser tolo inteiro. —Pois sim, seja como quiser, mas que peccados tem? —É isso que eu havia de dizer-lhe: como sou meio tolo divirto-me de noite a ir roubar os feixes de trigo da eira do meu vizinho, e leval-os para a de meu pae. —Isso é mau, filho, é um roubo. —É porque eu sou meio tolo. —Mas então porque não leva o trigo do seu pae para a eira do seu vizinho? —Isso não. Nesse caso seria tolo inteiro; e eu não quero ser senão meio tolo.