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Artigo

Continua-se o escandalo!…

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Interpretacção incerta

Pessoa de credito nos affirmou repetir-se por vezes na séde de um concelho, sua naturalidade, um caso bastante escandaloso. Ei-lo: Um pobrezito, que carecia de tratamento, pois andava doente, lembrou-se por isso visto lhe não ser possivel por outro meio, de subtrahir um individuo da familia gallinacea, ao acautelado cura que provavelmente lh’a não dispensaria, ainda que lh’a pedisse em nome de Deus. Quando lhe pareceu foi fazer a diligencia. O sr. gallo, tanto que presentiu alheia mão em seus dominios começa a gritar — soccorro! e foi tal a gritaria que o cura veio correndo, levantando-se para desviar de seus intentos a sagaz raposa (de dois pés) a tempo que esta ia a sahir com o que d’estas garras havia sido presa, e assim mais interrompido que um soldado em campo de batalha lançando-lhe mão a foi restituir ao sr. gallo que graças aos recursos de sua voz altissonante havia salvado a vida a um companheiro. Um conto passado a ser o divertimento do bando de garotos do povo, e o auctor passou a ser o alvo de zombarias, tratos e apupos, que fazem o recreio d’alguns espiritos, mas que olhados pelo lado da moral não fazem honra á authoridade a cargo de quem se acha a administração do mesmo concelho, que deve restrictamente obstar á pratica de scenas tão immoraes e revoltantes. Seremos attendidos por esta vez?