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Artigo

3 de outubro

Justiça e ordem públicaPolítica e administracção do EstadoCrimesDebates políticosDecretos e portarias
Romano

Neste dia fez annos d’edade o chefe d’um partido respeitável pelo seu amor de patria, pelos seus infortúnios e pelos seus princípios, d’ordem e de moralidade. Oh a moralidade!... Não ha conquistador, não ha catástrofe, não ha flagello, que póssa medir forças com uma nação virtuosa: mas ha uma doença que as mata, uma doença de que morreram Assyrios, Persas, Gregos, e Romanos; é a immoralidade. Grandes progressos tem feito esse veneno suicida na geração presente; e bom seria, seria bem prudente, que ás aspirações vivificadoras do partido liberal fossemos todos juntando as virtudes de que a experiencia própria da miséria e da oppressão deve ter enriquecido os nossos prisioneiros, e ainda mais esse infeliz! que tendo arrastado purpuras, e tido nas mãos o sceptro de D. Manoel o venturoso, e occupado o throno desta antiga senhora do mundo; hoje nem patria tem onde descansem os seus ossos! Grandes erros sem duvida cometteu elle, ou, o que é o mesmo e é mais provavel, deixou commetter ao seu povo e ao seu governo. Os decretos de Deus não são como os dos homens; e quando nem resta esperança, mal é justo! Prasa ao menos a Deus, se o arrependimento não é vergonha antes engrandecimento e gloria, que o desgraçado príncipe do coração se offereça todo em holocausto á sacrosanta liberdade; e já agora nem queira ao menos ficar com suas lagrimas. Deixe-as em diário negro d’amargura e entranhavel saudade da patria aos reis e aos povos, e intendam todos d’ahi que Aquelle que riscou a compasso a orbita dos astros deixou o homem livre!