30 de Outubro
Os artistas de Beja celebraram com duas peças de declamação o anniversario de D. Fernando o artista! o rei que é para nós todos uma bocca cheia de riso! e que deixou as nuvens da sua terra e veio para o nosso Portugal só para fartar comnosco seu coração de poeta no calix destas flores deliciosas e na taça crystalina d’estas fontes! Elle não é rei, D. Fernando! É um artista que vestiu a purpura, para assombro dos homens e... duplicado assombro! que a despiu para ficar artista! Não acreditaria S. Thomé sem ver e apalpar... mas se ahi ha alguém tão desconfiado de milagres, estenda a mão e encontrará... a Sua! A desenhar estava elle para a Revista no dia que fez annos; que nem de tal se lembrava!... A gente em sendo amado, vai-se-nos o tempo sem saber como, e quem vê lá que horas são no relogio, ou de que santo é o dia no calendario! E amado, de quem não é elle amado, D. Fernando? Pensaes vós que por outro deixariam esses pobres, que nem ler sabem e desajudados de tudo, familia e trabalho e descanço, para representar comedias?... Ou que toda a gente desabellaria de casa aquella noite para ir ver? E que se o seu coração de poeta prende as mulheres, a sua mão robusta d’operario prende os homens; e pode-se dizer que o povo portuguez tem elle todo nos seus braços!