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Resposta do ex.mo governador civil do Algarve

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Ê pratica minha não responder ás considerações que o espirito de cada um se diverte em fazer a meu respeito como lume sobre uma nave em ondas mil dispersas por todo o mundo. Quando me accusam, defendo-me e respondo, peço provas, e produzo as que tenho. Por este motivo não respondi ao que o Correspondente de Lisboa no Jornal do Porto do dia 17, escreveu, e eu li. Hoje leio o que escreve um dos dignos empregados no governo civil de Faro; os amigos do fallecido Plácido Negrão prestam homenagem aos seus bons serviços, e ás suas virtudes. Distingo-me em assim haver procedido. Exagerar porem o sr. Plácido, procurar desfazer nos srs. Araújo, Ribeiro e Furtado, actuaes officiaes do governo civil a meu cargo, não é pagar justiça á memória do sr. Plácido, é fazer injustiça ao mérito e bom serviço dos empregados do governo civil de Faro. Para bem dizer dos bons serviços e habilitações do digno secretario geral de Aveiro, transferido para Faro, não sei que se precize deixar em duvida a intelligencia e aptidão do secretario geral do districto de Faro, transferido para Aveiro. Exagerar uns, desfazer em outros para criticar das transferencias, não se me affigura, nem justiça, nem razão, nem verdade. Na secretaria do reino sobram as provas ao nobre ministro do reino para avaliar da verdade tal qual esta é. Devo um testemunho publico a favor dos dignos empregados do governo civil de Faro, porque ao governo de sua magestade por mais de uma vez se me proporcionou occasião de o prestar, do serviço do sr. secretario geral, e de cada um a todo* os empregados, ainda mesmo daquelles de outras repartições, acreditando que sempre fui imparcial, justo e verdadeiro. Estimo o novo secretario geral de Faro, que já foi meu secretario em Aveiro, e em crise tão difficil, que posso testemunhar da sua inteira lealdade e dedicação. Nos governos civis, ninguém tome a responsabilidade dos meus actos; sobre mim toda a mais inteira responsabilidade; eu não a declino do menor delles, respondo por todos, sem conselhos, admoestações ou lições, que não acceitei nunca, nem acceito, nem acceitarei, repugna-me tudo quanto se me affigura pressão por maior valor que tenha, por mais delicada e diplomática que se procure insinuar, por mais alto donde possa partir. Sou assim constituído, assim tenho provado que o sou, e não se illuda pessoa alguma que eu altere; serei sempre assim. Entendo que a confiança n’um cargo de confiança, ou se tem ou se não tem. Sustentar um governo quem lha não merece, prejudica-se, esmolar quem a não obtem é uma vergonha. Peço pois sr. redactor a publicação destas poucas palavras no seu creditado jornal, que me provocaram a correspondência do sr. Ribeiro da Silva, 2.º official do governo civil, ainda hoje a meu cargo. Lisboa, 24 de fevereiro de 1866. L. T. Sampaio.