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Correspondência (Mertola, 20 de fevereiro de 1866)—Sr. redactor

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Alentejo · Mértola · Portugal Correspondência

Na margem do Guadiana para o occidente, na província do Alemtejo, reside um tardo honrado e pessoa de bem, (diz elle!) que desejando seduzir um mancebo, para o fazer confessar coisinhas que só a elle lembravam, começou por períphrase dizendo assim: «O sr. não tenha duvida expor-me os seu pensamentos sobre o que lhe vou perguntar, de que lhe prometto guardar toda a fidelidade; porque, não sei se sabe, que eu sou um homem honrado e pessoa de bem.» Tanta miséria! Onde está a sua beneficencia e honradez? Miseravel! Quem se tem portado mais indignamente perante a sociedade dos homens? Pois elle não sabe que está intimamente desconsiderado na localidade aonde reside?! Não sabe que tem manchado o seu caracter com mil nodoas?! Não sabe finalmente que a moral nos diz: «não fuçaes a outrem, o que não desejarieis que vos façam»?! Nada d’isso sabe; só conhece os erros dos outros homens, que podem considerar-se innocentes por não lhes provarem as partes essenciaes das suas culpas propostas! Até breve. *** Mertola 20 de fevereiro de 1866. Sr. redactor.—Su no seu illustrado jornal conceder um espaço ás linhas que infra vou traçar será, com especial reconhecimento sempre grato o de v. etc. José Marcello de Mendonça.