Iluminado
Dizem-nos de Odemira: «A ex.ª sr.ª D. Emilia da Assumpção Guerreiro o Almeida, acaba de presentear a egreja da sua freguezia—o Salvador, com um bonito e bem elaborado arco de flores artificiaes, que acaba de substituir o que se achava tendo, já indecente e improprio de occupar um tal lugar; as flores apropriadas e symetricas que compõem o arco, tornavam o mais saliente possível a capella mor na passada quinta feira santa. Algumas d’as flores são o symbolo do triumpho e victoria ganha pelo Christianismo ao idoloatra e gentio; ao feito glorioso ligou um pensamento sublime. O parocho summamente penhorado por um tal acto de generosidade, não pôde ficar em silencio, sem agradecer a esta sr.ª tanta benevolencia, visto não ser só esta a primeira fineza que lhe deve, pois que, já o anno passado por outro egual acto de philantropia o S. João Baptista recebeu um não pequeno lavor, offerecendo-lhe tambem esta sr.ª uma bandeira em que se notava bastante trabalho e habilidade; esta contem alem de muitos adornos de flores e fitas, no centro, que é de seda carmesim, uma palma bordada a froco, e nas extremidades duas borlas de canotilho d’ouro e prata. É esta a primeira pessoa d’Odemira, que, attendendo á muita pobreza de qualquer das suas egrejas, se atreveu, no meio de tanta riqueza como conta em si esta terra, a dar uma lição solemne aos faltos de religião e aferrados ás humanas quimeras!... Conte pois a sr.ª D. Emilia, que de Deus receberá uma recompensa condigna, pela sua protecção em favor da religião, e do parocho um eterno reconhecimento.» J. A. C.