Revista da semana A maneira insólita como o sr. vis conde de Cbancelleiros se dirigio aos mi nistros, na camara alta, por motivo de não terem vindo da secretaria das obras publicas uns documentos, deu matéria pa ra os novelleiros dissertarem á vontade. O Portuguez que anda a sonhar com o poder, provavelmente porque ainda ba na familia quem precise acommoilar-se, apregoou a morte do gabinete. Os cor respondentes das folhas de província, ad versas á situação, exportaram pelo lelegrapho a alegre nova de que o ministério pedira a demissão, e, jornacs houve que enguliram apêla, ea qtiizeram fazer en golir lambem aos assignantes, dando-lha um supplemento. Perderam o dinheiro do papel e da impressão. Os ministros continuam firmes, e nem ha motivo para que o não estejam. O miar de um gaito nunca fez tremer pessoa alguma. Um dos mais illoslrados membros da commissão de legislação, que honra o fo ro e abrilhanta a universidade, o sr. dr. José Dias Ferreira, apresentou segundo diz o correspondente de Lisboa para o Campeão das provindas, uma proposta a respeito do casamento civil. A doutri na expendida pelo nobre deputado é mui acceitavel e fazemos votos para que triumph e na camara. A diante se encontra a proposta a que alludimos. O Portuguez, para ver se indispõe o exercito com o governo, espalhou que tem havido repetidas conferencias entre o sr. Fontes e visconde da Praia Grande para concertarem os meios de se lançar uma decima aos officiaes. Esta noticia não tem fundamento. É uma calumnia do Portuguez e nada mais. Veio no Diario, alem do relatorio do sr. Ernesto de Faria acerca das maltas do reino, e do regulamento para os exames de pilotagem da escola naval, duas cartas de lei, uma authorisando o poder executivo a ratificar a convenção postal com a França, e a outra concedendo á municipalidade de Elvas o uso fructo de certas propriedades, com o fim de estabelecer nas mesmas uma hospedaria militar. Alem do que fica mencionado deu-nos mais a citada folha diversos decretos de nomeações d’empregados, um outro mandando abrir um credito supplementar de 73:126$635 rs. pelo ministerio das obras publicas para despezas com os correios, e a relação dos individuos a quem, pelo ministerio da justiça, foi concedida licença para estarem ausentes dos seus cargos. Foi reduzido a cinzas o paço archiepiscopal de Braga. N’este edificio achava-se estabelecido o governo civil, a administração do concelho, a repartição de fazenda e a estação telegraphica que foi onde o fogo se manifestou, mas com tal violencia que apenas houve tempo para salvar o cofre central, que tinha perto de 36 contos de reis, e alguns papeis da repartição de fazenda e administração. Na camara alta foram discutidos e approvados os projectos de lei n.º 35 e 37. O primeiro isempta de direitos de mercê e de sello as encommendações e provimentos temporarios de parochias nas ilhas adjacentes, e o segundo deroga as authorisações concedidas ao governo para emittir inscripções. Esteve interrompida a discussão do orçamento, na casa electiva, por causa da convenção Balestrini que foi approvada por 72 votos contra 49. A votação foi nominal, e entre os deputados que approvaram a convenção figuram os srs. Jacintho Augusto Sant’Anna e Vasconcellos e Carlos Bento da Silva. É bom que consignemos ao menos estes nomes para vergonha do Portuguez. Na sessão de segunda feira continuou a discussão do parecer sobre o contracto Baylen á Laethen que foi approvado na generalidade. Passando-se á especialidade foi o artigo 1.º approvado com os additamentos dos srs. Leandro da Costa, Pequito, Bivar, e com a primeira parte da proposta do sr. Seixas. Sobre o artigo 2.º moveu-se alguma discussão, sendo depois approvado com o additamento do sr. Seixas e Augusto Falcão. Os restantes artigos foram approvados sem discussão. Na terça feira começou novamente a discussão do orçamento do ministerio do reino, no capitulo instrucção publica, concluindo o seu discurso o sr. José Luciano. Seguiu-se o sr. Pereira Dias e as ex.ª o sr. ministro do reino, constituindo-se depois a camara em sessão secreta para se darem certas explicações que haviam sido pedidas ao governo pelo sr. José de Moraes. Na sessão seguinte, na primeira parte da ordem do dia, foi votado na generalidade o projecto que altera o systema tributario da India. Na segunda continuou a discussão do capitulo 4.º do ministerio do reino, e a camara depois de haver escutado a palavra eloquente do sr. Dias Ferreira, approvou o capitulo como estava, resolvendo que as propostas que se haviam apresentado fossem remettidas á commissão de fazenda para dar o seu parecer sobre ellas. Hontem foram approvados varios projectos de interesse secundario. Hoje continua a discussão do orçamento. Corre em Lisboa que se tracta da resurreição do contracto de Debrousse, pondo-se de parte o caminho de ferro de Cintra e fazendo-se a concessão das docas e terrenos marginaes do Tejo. Não accreditamos tal boato porque ainda temos alguma confiança na intelligencia e toda na probidade dos actuaes ministros. O sr. Salvador Pinto da França, ministro da guerra, foi viaticado na segunda feira. As cortes foram prorogadas até ao dia 8 de maio. A instrucção publica tem attrahido a attenção d’alguns membros da camara popular, mas parece-nos que tira tudo in statu quo. O sr. Corvo entre varias cousas lembrou ao governo que desse aos lyceus outra forma. Não combinamos n’esta parte com o illustre deputado. Queremos os lyceus como estão mas que tenham eguaes garantias, muito embora se não augmenle o pessoal. Depois de haver o exame de madureza não ha rasão de ser para as distincções que faz o regulamento de 1864. São absurdas e altamente iniquas. É fado nosso que obra bôa nunca vê a luz do dia. Semelhante regulamento monopolizou a instrucção em certos e determinados pontos do paiz. Acarretou despezas ao thesouro, e nada mais. Dêem pois a todos os lyceus eguaes garantias, e com o devido rigor sejam feitos os exames de madureza, que os escandalos acabarão, se acaso os ha, porque todos os professores, já para sua dignidade e decoro dos lyceus a que pertencem, serão mais rigorosos nos exames de seus alumnos. Todo o paiz está pronunciado contra a divisão dos lyceus em primeira e segunda classe e tem razão. Não se está fazendo nos lyceus de segunda o serviço escolar com a mesma regularidade que nos de primeira, onde ha o dobro de pessoal? Não custam ao estado os lyceus de primeira classe o dobro dos de segunda? Não tem alguns professores dos lyceus de segunda classe tantas ou mais habilitações que os de primeira? Quais dos professores dos lyceus de primeira são obrigados a satisfazer a dois concursos aliás difficeis, como introducção e mathematica, logica e rhetorica, geographia e rhetorica, francez e inglez? Nenhum. Logo os lyceus de segunda classe não merecem tal desconsideração e muito menos depois de estabelecido o exame de madureza. Finalmenle a questão resume-se a pouco: egual garantia a todos os lyceus, sem augmento de pessoal, para não sobrecarregar o thesouro. Assim já fica a instrucção secundaria muito regular, e a nossa legislação com menos uma iniquidade ou antes um absurdo.
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