Teatro
No de segunda feira os curiosos brilharam. O sr. Fonseca é uma bella figura, tem uma voz sympathica e nobreza de maneiras. O sr. Costa comprehendeu o papel tanto de cinico como de estudante esturdio; só nos parece que ás vezes peca por demasiada naturalidade. O palco e tantos olhos pregados n’elle não lhe alteram uma fibra. Esta presença de espirito deve-a aproveitar e não desperdiçar. A sr.ª Rosa de estudantinho dava vontade a toda a gente de ser seu condiscipulo. Estava linda! e se isso dependesse de nós, já que não é licito a uma senhora vestir d’homem, ao menos havia de vestir á turca; e deixar estes balões, estes espartilhos da mulher europeia, que partem ao meio uma existência tão preciosa! e que é inteirinha que a gente a quer! Todos os mais senhores não tinham contra si senão um papel secundário, que não pode medir forças e dar largas ao talento. Na noite de quinta feira, Rocher parece-nos que se consubstanciou no papel só quando quiz salvar a mulher da deshonra. Polion tem graça, mas é o primeiro a rir-se; não é o espirito; a cara e o modo. A sr.ª Rosa, de rei... que linda! «Um fraco rei faz fraca a forte gente!» Nunca nos sentimos tão dispostos a proclamar o absolutismo! com tamanhos desejos de ser escravo!... Que lindo rei! Contra aquelle Filipe não entravamos nós na conjuração de 1640! E a Luisa... a Lucia... a Lusia... tres nomes que dizem todos a mesma coisa e todos juntos ainda não dizem nada!... Oh Roger... Rocher! tu não sabias o que perdias! Eras um doido se te não lançasses com ambas as mãos áquelle tesoiro de graças! áquelle palacio encantado de delicias!... Fizeste bem! nunca te arrependerás. Nós é que, simples espectador no teatro, continuaremos a sel-o lambem da vossa felicidade real, venturoso casal! bem aventurados conde e condessa de Santarém!