Voz do povo voz de Deus
Não ha cousa mais certa. Digam lá os defensores do sr. governador civil de Beja, se é que os tem, que não mendigou assignaturas para a Gazeta, da maneira mais degradante possível. Pessoa, que nos merece toda a confiança, disse-nos que vira na mão d’um administrador, uma carta de s. ex.ª a pedir-lhe, que ao menos lhe arranjasse cinco assignaturas. Isto na verdade é sevandija de mais, e improprio de uma auctoridade, que indirectamente vai impor aos seus subordinados um onus, de que não podem sahir, sem ficarem no desagrado do seu chefe. É isto um governador, a quem se confia o destino d’um districto! E’ isto um governador, que se não peja de passar um diploma de ineptos ás pessoas, que constituíam a mesa da misericórdia de Ferreira, sem medir o alcance das palavras de que se servio para annullar a mesa, que lhe não conviria para fins, que ignoramos! É isto uma auctoridade, que não mede as distancias, que devem haver entre elle e os seus administrados, para depois os chamar ao cumprimento de suas attribuições, com independência de caracter, quando as circunstancias o exigirem! A’ vista disto, ainda se convencerá o governo, que s. ex.ª tem capacidade para lhe confiar um districto, ou serão estes cataventos que lhe servem? É de suppor que não, que o governo fará um grande serviço ao paiz, substituindo os parasitas, como este, que não fazem mais do que alimentarem-se á sombra do thesouro. M. T.