E’ extraordinario
Está-se vendendo actualmente em Roma um folhetinbo em que se refere com grandes divagações o seguinte facto occorrido ha poucos dias na cidade eterna: Um sujeito que vivia do seu trabalho e que n’outro tempo commettera vários assassinatos seguidos de roubo nas estradas publicas, tinha sido condemnado á morte e devia ser enforcado ha pouco tempo em Bracciano, a 30 kil. de Roma. O cadafalso estava levantado na praça publica e grande numero de curiosos contemplavam o apparelho de morte, em quanto se não principiava o espectáculo. O carcereiro encarregado de dar noticia ao preso de que era chegado o momento de caminhar para o patibulo, quiz empregar algumas phrases lisongeiras para minorar o rigor do facto, mas o condemnado observou que estava resignado, e que sómente lastimava que lhe não fosse permittido concluir o mez de Maria que tinha começado. Ao sahir da porta da prisão o criminoso ajoelhou perante uma imagem da Madonna, e fez uma oração com todos os visos de fervorosa, e levantou-se pronunciando estas palavras: «Não, estou certo que não morrerei. A Madonna me perdoará.» Chegado ao cadafalso entregou-se outra vez á oração, e deixou-se emfim prender na fatal prancha, dobrando o pescoço ao cutelo. O algoz fez a sua obrigação, o ferro desceu com rapidez mas suspende-se exactamente junto do pescoço do condemnado, o qual gritou então: Viva a Virgem Maria! O carrasco parou atalhado, e o povo gritou todo a um tempo: perdão! perdão! O condemnado foi reconduzido para a cadeia quasi era triumpho. Telegraphou-se a sua santidade, contando-lhe o referido. O papa, em vista d’isto, a que no livro alludido se chama milagre, perdoou ao latro-homicida. Cá fora de Roma, entender-se-ia talvez que o reu ia combinado com o carrasco, e que a Santissima Virgem de nenhum modo se resolveria a proteger por tal forma um ladrão e um assassino. Que guardaria então a Mãe de Deus para os seus escolhidos pela mansidão e pela virtude?