Festividade em Mertola
Escrevem d’aquella villa o que se segue: «O dia do Santo Antonio n’esta villa é festejado com um excessivo apparato e com uma particular devoção, se não superior á praxe seguida em terras d’esta ordem ao menos egual. E podemos dizer que é também feita a expensas de uma corporação que aqui ha, cujo chefe tem dado sobejas provas do quanto é amante das cousas da religião e da egreja. Orador esta festa foi um joven ecclesiastico, que veio da capital, o qual n’um de seus discursos deu uma idea minuciosa do que foi o formoso Santo lisbonense, como qual deixou satisfacitissimo todos os ouvintes. É bem sabido que os mertolinos teem um singular cuidado em solemnisar com ostentação este tão santo dia. É louvável este procedimento.—Que fecundidade de regozijos nos vem desde este dia até ao dos S.S. Apostolos Pedro e Paulo?—Que dias tão festivaes—que dias de gala,—que dias tão bellos! E n’aquella quadra ainda, que a estação calmosa nos não vem com aquelle rigor de pleno verão, a temperatura tão moderada, tão suave, as noites tão formosas, aquelle luar tão resplandecente, tão formoso, uma aragem tão branda e serena conduzindo-nos ao olphato um aroma tão agradavel, que exhalavam as fogueiras. E os mastros? E as alamedas? Favorecidas pelo clarão das lanternas, visitadas e admiradas por immensos grupos de gente eram com o sorriso nos lábios mirada gostosa e attentamente.—Era no dia de S. João e 4 horas da manhã, que apenas a aurora ainda vinha [ilegível]»