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Beja · Lisboa · Portugal

(Demissão do sr. Alexandre Pinto da Fonseca Vaz)—«Acabo de ser demettido do logar de administrador central do correio de Beja, sem ter commettido crime algum, e por tanto sem processo nem julgamento, a não ter sido inquisitória!, e de que não tive conhecimento. Os motivos foram a covarde vingança, e inimizade formal que me tem o director geral dos correios, Eduardo Lessa. Este homem não tendo motivo algum legal e real para que pudesse menoscabar-me no exercicio das minhas funcções, por isso que tanto no estado do cofre, como no movimento de toda a escripturação, e mais serviços da administração, tudo estava em dia e na melhor ordem, como o attestam os balanços e a entrega que fiz da administração, de que possuo os respectivos documentos comprovativos, só recorreu-se ás tricas, fundamentou-se em pretextos futeis, e deturpando factos que, quando mesmo devidamente comprovados, poderiam apenas ser taxados de pequenas irregularidades. Irrogou-me em 31 de julho ultimo a suspensão do exercicio das minhas funcções, e já se sabe a suspensão do ordenado, até que o ministro resolvesse definitivamente. Requeri immediatamente ao ministro para ser ouvido, e negando as falsas accusações que se me faziam, vim a Lisboa para me apresentar e fallar ao ministro, que sempre a isso se negou!! Fiz novo requerimento, com o mesmo pedido do primeiro, e tive por despacho simplesmente indeferido!!! E por fim, no dia 7 deste mez, foi-me communicado um decreto com data, ou anti-data de 22 de agosto ultimo, em que era demittido porque não convinha ao serviço publico que continuasse no exercicio do logar de administrador central do correio de Beja, em virtude da proposta do director geral (palavras textuaes). Será esta uma razão conveniente para se esbulhar um empregado, um antigo funccionario, com vinte e sete annos de serviço, do logar em que estava devidamente encartado, e que era sua propriedade?!!! Que triste idéa deu o Corvo de si! Está aberto um terrível precedente. De hoje para o futuro bem podem os empregados fazer por não descahirem do agrado de seus chefes porque se tal lhes acontecer estão no meio da rua. Arranjado um pretexto qualquer, apresenta-se a proposta de demissão e o ministro se é leviano, se não tem a independencia precisa sacrifica o empregado á má vontade do chefe. N’esta parte, vamos retrogradando novamente? ISSO.»