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BEJA 26 DE OUTUBRO

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Revista da semana — Esta semana sim que foi cheia. Abundaram os actos officiaes e de novidades tambem não houve escacez. Em portaria, do ministerio do reino, ordenou-se ao governador civil d’Aveiro não só que dissuada os povos limítrophes das minas do Braçal de que não é o fumo dos fornos da fundição a causa da moléstia que ultimamente atacou os milhos, mas tambem que trate de impedir, empregando até a força armada, a repetição de scenas vandalicas como ha annos ali se deram. Por um decreto foi approvado o novo regulamento da escola do commercio de Lisboa, e por um outro abolido, a contar do 1.º de janeiro proximo, o uso do papel sellado com sêllo branco. Como é de grande interesse publico conhecerem-se as disposições d’este decreto adiante o encontrarão os leitores bem como a tabella que o acompanha. Por um outro decreto foram approvados os estatutos da companhia vitrificação portugueza; por outro concedeu-se a patente de invenção, por oito annos, para o fabrico de ferros de alisar aquecidos por meio de gaz, ao subdito portuguez Clemente Augusto da Assumpção; por uma portaria, do ministerio do reino, permitte-se que sejam admittidos a exame de instrucção primaria, até ás ferias do Natal, perante os lyceus nacionaes, os indivíduos que se propozerem a seguir a profissão de sollicitadores de causas e, por não convir ao serviço, foi demittido o delegado do thesouro do districto de Angra e o thesoureiro pagador do mesmo districto por se achar alcançado em reis 7:870$960. A fim de que as forças productivas e a actividade industrial não estejam paralysadas por mais tempo, ordenou o sr. Corvo, em portaria de 22 deste mez, que se activem os estudos e construcções das estradas que hão de formar a rede principal da viação. As estradas de Cuba, Moura, Barrancos, á fronteira hespanhola, e as de Ferreira, Sines e S. Thiago de Cassem formam o grupo 8.º da tabella que acompanha a portaria. Posto que tardiamente sempre as nossas palavras triumpharam e se attendeu aos interesses dos povos d’este districto. E que mereça mencionar-se só trouxe mais a folha official as portarias que nomeiam os engenheiros que hão de estudar as estradas constantes dos diversos grupos, uma outra, pelo ministerio do reino, ordenando aos governadores civis que recommendem aos administradores dos concelhos a rigorosa observância das instituições e regulamentos que sobre o registo hypothecario, receberem do procurador regio visto o mesmo registo ter de ser, dentro em pouco, posto em pratica, e uma outra assignada pelo sr. Barjona, chamando a attenção dos bispos para as instrucções que pelo ministerio do reino foram dadas sobre a inspecção das escolas, na parte que lhes respeita. Diz-se que as febres intermittentes grassam em Tancos e que as tropas ali acampadas regressarão brevemente a Lisboa. Os corpos das provincias não voltam como se dizia. Para aquartellar cavallaria n.º 5, caçadores n.º 6 e o 11 d’infanteria estão-se repartindo os quartéis do Castello, Queluz, Belem, Cordoaria e Xabregas. Affirma-se que o governo trata de contrahir um empréstimo e a opposição já esta semana discorreu sobre o assumpto como costuma, isto é, insultando e injuriando. Faz mal. Quem tem telhados de vidro não deve atirar pedras aos dos visinhos. No domingo tiveram lugar as eleições supplementares. O resultado foi como era de esperar, favoravel á politica da situação. Por Lisboa (circulo 114) foi eleito o sr. Fontes, pelo Porto (S. Ildefonso) o sr. João Chrysostomo, pela Idanha o nosso illustrado collega Custodio José Vieira e por Paredes o sr. Martens Ferrão. O sr. dr. Bernardino Antonio Gomes que tinha ido a Constantinopla representar-nos no congresso sanitario que ali teve lugar, regressou a Lisboa. Falla-se outra vez da ida do sr. duque de Saldanha para Roma e a ser exacto o que dizem as folhas hespanholas, a rainha D. Izabel II e seu esposo desistiram de visitar este anno a nossa capital. Então em que ficamos? Entra ou não entra o sr. Serpa para o ministerio da fazenda? Não entra, dizem uns, porque se concordou em que a pasta seria confiada ao sr. Martens Ferrão. Não ha tal, dizem outros; o successor do sr. Fontes é o sr. conde d’Avila. Pois estão enganados, acode um terceiro; o sr. Avila vae mas é para o ministerio do reino. E n’este porfiar esgotaram, nestes ultimos dias, as suas forças alguns campeões da imprensa. Pugna ingloria na verdade porque não é do que sopraram ao ouvido de Pedro, nem tão pouco pelo que foi mandado apregoar por Paulo, ou pelo que dizem, em tom doutoral, Sancho e Martinho, que se decidem os negocios da republica. A opinião publica e só ella é que tem valor. Mas numa cousa concordámos nós com os illustrados contendores é que a recomposição ministerial é necessária e urgente porque a pasta das finanças precisa ser gerida cuidadosamente. Ora isto é que o sr. Fontes não pode fazer, porque não sendo immenso não é possível tratar, ao mesmo tempo, negocios tão importantes e variados como os das duas províncias da publica administração que lhe estão confiadas. Mas afigura-se-nos que não será o sr. Martens Ferrão quem se encarregará da gerencia dos negocios da fazenda nem tão pouco o sr. conde d’Avila. Não se encarrega o primeiro porque deseja traduzir em pratica as suas projectadas reformas; não se encarrega o segundo, não porque lhe falle vontade, mas porque precisando-se na conjunctura actual um secretario d’estado dos negocios da fazenda de grande e laboriosa intelligencia e que a empregue em melhorar o nosso estado financeiro—assustador na verdade—o sr. conde d’Avila não está no caso. Inclinamo-nos pois a que o sr. Serpa será o nosso futuro ministro da fazenda. Só elle presentemente poderá melhorar o nosso estado financeiro. Nisto concordam amigos e até adversários e todos são unanimes em declarar que a entrada de sua ex.ª para o gabinete seria um acto de nobreza e de patriotismo que muito honraria e elevaria o chefe do estado. Veremos porem o que succede para janeiro. Antes desse mez não cremos que haja modificação no gabinete.