CORRESPONDENCIAS
Ao ex.mo ministro do reino — Beja 12 de dezembro de 1866. — Sr. redactor.—Não venho fazer da imprensa estatua de Pasquino, nem tão pouco instrumento de vinganças mesquinhas, que rebaixam sempre quem as pratica, e que só são próprias d’almas rachiticas, e tacanhas. O nosso fim é inteiramente diverso: nossa mira é mais nobre e mais sublime. Trilhámos sempre o caminho da honra, para não descermos aguia a pomba. Temos respeitado sempre os nossos superiores e eguaes, e inferiores, em harmonia com os principios que nos legaram nossos mestres. Fomos e somos sempre superior a toda e qualquer vingança, ou maledicencia nefasta, que se nos proponha, quando não venha d’encontro com a nossa honra, e reputação, porque não abaixamos a fronte, receiosos de que as nossas faces possam mudar de côr: por termos sido injustos, para com pessoa alguma, e usado de armas traiçoeiras, como accusar etc. Os nossos escriptos teem por cunho a verdade, sujeitando-a á critica judiciosa e imparcial para os contestar, se achar fundamento para isso, porque a verdade é unica e exclusivamente a nossa arma contra os punhaes e revolveres. Eis pois, sr. redactor a maneira, porque venho hoje tambem advogar a justiça que assiste ao sr. Eugênio Jorge da Graça que possue a cadeira de francez e inglez do lyceu d’esta cidade, assignando-me aos meus compatriotas, que pela imprensa teem advogado a sua causa. Não venho falar das desintelligencias pelos reparos e conservação da mesma que o sr. Thomaz Nobre de Carvalho tem com o corpo e [ilegível] e muitos menos dos motivos ou pontos, que concorreram para tal porque por ora pomos ponto. Venho unicamente mostrar, e indicar os meios por onde s. s.ª pode conhecer a superioridade do sr. Graça, e as habilitações, difficuldades, e serviços, que o recommendam para o magisterio. Somos superior, sr. Nobre, a qualquer procedimento menos justo, que s. s.ª tivesse para comnosco, para deixarmos de advogar a sua causa, se estivéssemos convencidos, que lhe assistia justiça, e estivesse nas condições especiaes em que se acha o sr. Graça. Se duvida do que advogamos, mande tirar no lyceu de Lisboa certidão dos exames do sr. Graça, e verá a superioridade, que elle tem sobre s. s.ª. Se quizer ir á escola polytechnica, e aulas do commercio, ahi encontrará uma frequencia distincta; se quizer conhecer os serviços do sr. Graça vá á subinspecção geral dos correios, e ahi verá que só no correio de Lisboa serviu 10 annos, e seis no d’esta cidade; se quer saber a maneira distincta, porque se houve como professor n’este lyceu e qual o bom resultado do seu ensino, peça ao ex.mo ministro do reino, que mande ouvir o conselho do lyceu para ver as nossas asserções, corroboradas tambem gratuitamente por cavalheiros, cujo saber, honradez e probidade tem merecido a estima, e respeito dos habitantes de Beja. Finalmente consulte o ex.mo sr. Magalhães Coutinho, que ainda deve estar lembrado de ter nomeado o sr. Graça para amanuense da sociedade das sciencias medicas, pelo facto de reconhecer n’elle muita intelligencia, e conhecimento cabal das linguas allemã, franceza e inglesa. Consulte o sr. dr. José Maria Ganço d’Almeida, digno delegado de saude, e intelligente professor do lyceu, ácerca do conceito que mereceu o sr. Graça na escola polytechnica aos seus condiscipulos, o lentes, e saberá que foi o 1.º distincto do seu curso. Por tanto, pode v. s.ª, sr. Nobre, ou os meus proselytos se é que os tem, stigmatisar-nos de procedermos mal; em nome da instrucção, sem motivos, que já é o pão, que a gente sensata, e amante da verdade espera do digno ministro do reino. Jornal do Commercio, Jornal de Lisboa, Diário Popular, e a Presse, onde pela terceira vez se pede justiça para o sr. Graça; porque outra cousa não precisa elle, além das suas óptimas habilitações. A.