O gato salvador
Ha poucos tempos, os arredores da villa de Ova, na Itália septentrional, foram accomettidos e devastados por uma inundação. Saindo furiosas do seu leito, as torrentes destruiram um canal. Casas, homens e animaes tudo se foi de rijo para as aguas do Stura. Toda a população pereceu. A algumas milhas do sitio deste horrível desastre ficava A lha, nas margens do Stura. E ahi se via um berço com um gato dentro. Era de servir ao mesmo tempo de lastro e de piloto do barco. Attento para todos os movimentos do frágil esquife, que levado por uma corrente caudalosa e correndo de destruição a cada momento ameaçado de algum novo perigo, o gato ora recuava, ora avançava, ou se punha á direita ou a esquerda esforçando-se por esta maneira em contrabalançar o choque das ondas e dos empecilhos que se lhe acarretavam, a ponto de conservar sempre o equilibrio que fez escapar o berço de uma perda certa e inevitável. O berço trazia uma creança. Os habitantes de A lha conseguiram salvar a creança e o gato, e decidiram logo que um e outra seriam mantidos á custa da villa. Aqui está pois como uma creança deve a vida a um gato.