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Roma · Itália Exterior / internacional · Romano

Eis a proclamação que a junta nacional dirigiu ao povo romano: «Romanos! Saiu-se emfim, de Roma o ultimo soldado francez, e da Italia o ultimo estrangeiro. Não se avista, desde os Alpes até o mar nenhuma bandeira estrangeira que symbolise no território italiano dominação orgulhosa, ou injusta protecção. O espectáculo é doloroso para os nossos oppressores; mas é consolador para nós que, ao cabo de dezoito annos, erguemos a fronte, e achamos Roma novamente senhora dos seus destinos. Grave-se profundamente este dia solemne na memória e no coração de todos os romanos, que tenham o sentimento da sua dignidade. Este dia, o dia 5 de dezembro de 1866 abre uma erá inteira, a erá que deverá ver, a par da liberdade da magistratura religiosa, a liberdade e esplendor da própria Roma! Cabe-nos, pois, a nós os romanos, a grandiosa tarefa. Surgiu a justiça com quanto tardia, para de novo nos entregar a sorte do paiz que já não era nosso. A hora é decisiva e solemne; contempla-nos o universo inteiro, commovido e agitado por sentimentos oppostos. Nós, fortalecidos pela força proveniente de um direito imprescriptivel, resolvidos a exercel-o sem temor, nem do leve, os direitos do poder espiritual, devemos predispor para o acontecimento grandioso o nosso espirito, o nosso pensar, para o que nos é preciso, o nosso brio. Nada de provocações, nada de manifestações ociosas e imprudentes. Seria isso o que mais desejariam os nossos inimigos, os que especulam com as perturbações, os que demandam novas ingerências estrangeiras, e tão numerosos nos rodeiam, nos espionam, e nos incitam. É n’elles, não o duvideis, que estão fitos os olhos d’aquelles que velam pelos nossos destinos. Mas, contra elles, é indispensavel serdes unidos, disciplinados, fortes e resolutos e esperardes ao mesmo tempo tranquillamente o momento que nos separa do cumprimento dos nossos votos. Concentremo-nos, demos as mãos, e cerremo-nos em torno do nome e das glorias de Roma. Assim unidos e compactos, saibamos esperar. Em nome da patria não se distraia n’esta quadra solemne a menor das nossas forças. É certo o triumpho; os dias do despotismo clerical estão inexoravelmente contados, e a vossa junta nunca vos deixará carecer de actividade, nem de conselho. Roma 14 de dezembro de 1866. A junta nacional romana.»