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Naufragio

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Igreja

Eis os pormenores do naufragio do correio de Dieppe. Este navio havia largado de Dunkerque em 5 de janeiro, ás onze horas da manhã. Com o decurso do dia o vento tornou-se tempestuosissimo, e o mar [ilegível]; o navio cançou, e entrou alguma agua, obrigando a marinhagem a dar á bomba. Á meia noute, com tempo escurissimo, e uma borrasca de sudoeste, o correio de Dieppe [ilegível]. Ao amanhecer, o navio conservava-se de pé e as bombas forneciam com trabalho infinito. O capitão fez içar a bandeira do mastro, o do traquete o signal de soccorro; ninguem respondeu a este signal. Estavam a duas milhas e meia de costa. Vendo que a tripulação e a carga corriam perigo, o capitão fez approar á costa, mas o navio encheu-se de agua e soçobrou ás nove horas e meia da manhã de [ilegível]. Quando o navio caiu, o mar cobriu o convés, [ilegível] quanto encontrou. O capitão Fretel e o marinheiro Maniére agarraram-se aos [ilegível]; um marinheiro velho collocara-se em [ilegível], e o moço pôz-se a cavallo na verga do traquete. Immediatamente o velho marinheiro foi [ilegível] pelos golpes do mar; o moço, extenuado de forças, deixou-se levar pela vaga, e o capitão Fretel, debilitado na agua, não pôde mais sustentar-se e caiu ao mar. Maniére ficou só bramindo e a gritar por soccorro ás pessoas que distinguia na praia com a mão. Afinal viu um indivíduo deixar a casera e lançar-se ás vagas enfurecidas. Pouco depois este corajoso e intrépido homem chegou a nado ao correio de Dieppe, subiu a bordo, fez descer o marinheiro, amarrou-o a um cabo que trazia e fez signal á gente da terra para lhe atirarem outros. Maniére e o seu salvador chegaram a terra. O homem dedicado que salvou a vida ao marinheiro, e que alguns minutos antes podia ter salvo toda a marinhagem com a sua dedicação, era o reverendo Cobb, parochro da aldeia de Dunquerque, situada na praia onde occorrera o naufragio.