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Artigo

Para reconhecer a catalepsia

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Porto · Portugal Interpretacção incerta

Lê-se no Jornal do Porto: Uma menina parisiense que ha dias fôra jantar com uma sua amiga, achou-se tão indisposta em casa desta, que resolveu passar ahi a noute. No dia seguinte de manhã, as donas da casa encontraram a menina prostrada na cama em que dormira e com todas as apparencias d’um cadaver. Um medico chamado a toda a pressa tinha quasi decidido que a menina succumbira a uma congestão cerebral, quando de repente se lembrou de averiguar se ella não seria victima de um pesado ataque de catalepsia. Para esse fim realisou a operação aconselhada pela sciencia em taes casos, a qual operação consiste em operar em qualquer parte do corpo da victima uma queimadura no segundo grau. Se a pessoa está morta, as carnes não empolam. Se a pessoa está viva, a empola apparece. Tendo o facultativo approximado um ferro em brasa do braço da menina, havida por morta, manifestou-se d’ahi a pouco o signal de vitalidade. Em vez portanto de a amortalharem para a cova, resolveram esperar tranquilamente que a catalepsia desapparecesse, o que só se realisou vinte e quatro horas depois, isto é, no momento em que ella poderia estar já enterrada, se não fosse a pericia do medico chamado para lhe assistir.