Periga de enterramentos precipitados
Lê-se no jornal de Nantes Esperança do Povo: «No bairro de S. Martinho deu muito que fallar um acontecimento extraordinário, que é mais uma prova contra os enterramentos precipitados. O cadaver de um mancebo acabava de ser depositado n’uma das capellas lateraes da igreja de S. Lourenço, e esperava-se a chegada dos padres que deviam rezar-lhe responso, quando o caixão se agitou a ponto de fazer cair uma das velas das tocheiras. Os assistentes deram-se pressa a abrir o caixão e levaram o resuscitado para a sacristia, onde lhe prodigalisaram os soccorros necessários. Voltava a si de uma lethargia de perto de sessenta horas. O medico que foi chamado tomou logar na carruagem com o doente, que reconduziu ao seu domicilio, e póde bem julgar-se da commoção que causou á sua mulher e aos seus dois filhos.» (Opinião.) Por aqui é geral o desejo de fazerem enterrar o mais breve possível os cadaveres, e nota-se quasi sempre repugnância em se sujeitarem á prescripção legal de esperarem que decorram as 24 horas.