Voltar ao arquivo
Artigo

Novos successos aduaneiros

Algarve · Mértola · Pomarão · Porto · Serpa · Tavira · Portugal Geral

O sr. João da Palma, capitão d’um dos barcos de navegação d’esta villa para os portos do Algarve veio de Tavira com carga para Alcoutim, Pomarão, e Mertola. Fez descarga no 1.º d’estes portos, e esqueceu-lhe lá o despacho, que trazia de Tavira na mão dos empregados da fiscalisação d’Alcoutim—achou a falta no Pomarão—poz um proprio a buscal-o, e seguio viagem para Mertola.—N’este porto é-lhe o barco e carga apprehendidos pela fiscalisação, de que é chefe o sr. Fundado.—Dahi a poucas horas chega o despacho, que apresentado pelo mestre ao referido sr. Fundado, respondeu que já lhe não podia valer (*) e lá caminha o mestre para S. Domingos aonde o sr. Lara lhe disse que a apprehensão estava legalmente feita! Lá partio ainda o indibriado mestre para Serpa, a appresentar o despacho e pedir justiça, que lhe foi feita conscienciosamente pelos dignos funccionarios superiores d’aquella casa fiscal, que julgaram improcedente a tomada; e até se diz que se censuraram por excessivos os serviços assim prestados: é de suppor. Para certa gente é preciso que a lei diga: be, bi, bo, bu. Mal caminhamos quando a consciencia não é a motor que desenvolve a maquina fiscalisadora, o farol que dá a luz para se ver o justo caminho a seguir, pois ha cousas que a consciencia decide ainda que ellas estejam involtas nas trevas mais obscura lei.—O homem de bem que segue os ditames d’uma sã consciencia faz justiça á humanidade e não teme comprometter a honra nem o emprego que exerce.