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Beja · Portugal Igreja · Interpretacção incerta

Setas convertidas em grelhas O sr dr. Virgulino enfastiuu-se muito ao ler o meu artigo porque encontrou argumentos, e demonstrações; e como os argumentos lhe não conviessem, e as demonstrações lhe não agradassem, accusa-me de ter peccado na mataria, e na forma; furjando—a seu modo—uma =tenlatlca de resposta. Não admira que o sr. dr. V* não achasse força aos meus argumentos porque, como p&ra s. «.“ ha de ser de pau s copo =* emquanto Deos me der faliam não admira que não hajam argumentos que o possam satisfazer. O sr. dr. Virgolino não gosta das argumentações: lá tem seus motives. Acostumado a não as fazer vê-se embaraçado com ellas, e, por isso aborrece-as. Pois cu acostumado, ha muito tempo, discutir por formas lógicas, não as posso abandonar, nem as aborreço. Outro tanto não acontece a quem d’ellas nunca usou; e por isso encontra erros, e inexactidoes, onde só existem rigorosas demonstrações. O sr. dr. Virgolino sustenta que a=caridade=é tão anterior á vinda de Jesus Christo que até nasceu com o homem. Eu pretendo demonstrar que o=sentimento humanitário=nasceu com o homem, e que esse sentimento foi desenvolvido por Jesus Christo até ao ponto de—só então—se poder chamar—caridade. O publico que tem lido os nossos artigos sabe bem que oslessão os nossos campos. O v* 34 do cap. 13 de S. João—não é tão escuro como qualquer noite de inverno, nem os Santos Padres se amofinaram muito para o explicarem; porque todos concordam que o preceito é—novo.—Assim S. João Chrjsoslumo, S. Cyrillo dizem que o preceito é—novo—porque até áquella epocha ninguém linha elevado a um grau tão sublime o amor do homem pelo homem. Mald, Gerhard dizem que Jesus Christo lh chamou—novo—porque era perfeito (em contraposição sr. V. á sua caridade da berço do genero humano e da lei, an gravíssimo, prestantíssimo. Como eu só chamo—caridade—a este grau de amur de que Jesus Christo soube fazer um preceito, parece-me que os Santos Padres longe de estarem contra mim são muitíssimo a meu favor. Já vê o sr. V. que este nosso argumento lo tem a força bastante para não poder ser destruído por g. sA Este nosso adversário é tão bondoso! Vem ellc mesmo dar-nos argumentos com que o podemos combater. Já que l ... O que o sr. dr. V* classifica de—segunda palmatoada—é de tão pequenina importantancia, que sómente f u A peso nal guma intelligencia minto tacanha: é apenas uma frase menos correcta, e em que não vale a pena fallar. Se eu quizesse levar as cousas a tanto rigor, então diria que o—verbo encarnado—só teve o nome de—Jcams Christo—na occasião de ser rircumcidado. Eu ainda não disse que—amemos aproximo, só pelo proximo (no meu artigo não se encontra isso). É o prisma do sr. dr. Virgolino que lhe faz ver assim tudo para que olha.—Outra seta e outra grelha. Como não admitto—caridade—que não seja—christã—não faço confusão entre caridade e—caridade christã. Se alguma vez u«oi da palavra caridade no sentido em que v. s? a toma, foi para me servir das suas expressões, e nunca para designar o que eu chamo—caridade.—Demais as palavras=caridade christã, não involvem a idéa d’outra qualquer=caridade; por corno a pihvta christã é explicativa, quer «emente dizer que n’caridade é christà. Foi ainda o seu prisma quem lhe fez ver a antilhese?=e por elle não vio lambem que a sela se lhe convertia em grelha?! Eu sabia que Jesus Christo tinha dito que para alcançar a salvação bastava o cumprimento dos mandamentos—sem mandaía=; mas ignorava que a egreja catholica, fiel depositaria das doutrinas de Christo, negava a absolvição sacramental a quem não quer seguir um=conselho!—quando o conselho na frase de Christo serve só para maior perfeição. Math. 19—16—22. Peço-lhe que me diga em que auclor de theologia encontrou tal doutrina! Ai sr. V. que seta convertida em grelha deve ser-lhe muito prejudicial! Eu não pedi ao sr. V. que me explicasse o v. de S. Math.: não preciso. Eu não neguei que a-raridade—involvia a idéa de uma recompensa, e folgo mui to em saber que para o sr. V. tanto vale a recompensa material como imanteriaI; confundindo tão claramente a=philantro pia cuja recompensa é toda mundana, com o—caridade—cuja recompensa é toda celeste. Não esperava por esta grelha? é inda uma de suas setas.—Estenda a mão e leve as palmatoadas que quer dar. Eu confessei sempre que Jesus Christo veio aperfeiçoar tudo, e como o aperfeiçoamento foi tal que poz tudo numa ordem de cousas inteirumenle desconhecida, podemos dizer que foi uma nova creação. Como a=caridade=é virtude infundida pelo Espitilo Santo, e esta só se manifestou no mundo com o=christianismo, podemos continuar a afiirmar qtií a caridade=vir/ude tAeoJogaí=tem por fundamento u=christianismo. Em quanto ao traduzir=diffusa=(ad R. 5-5.) por =infundida=temos muita honra em errar; porque, errando, errámos com abalisados theulogos v. g. Tournely, Scavini, e outros que assim traduziram. E o sr. dr. Virgolino que foi tão prom pto em levantar a palmatória, ha de vel-a cahir uns suas próprias mãos por se atre ver a querer dar palmatoadas nos grandes mestres de thenhgia. Podemos dizer que o amor do proximo é uma partícula do amor de Deus, do mesmo modo que se diz que a intelligencia do homem é uma partícula da de Deus. O que o sr. V. chama—amor do proximo=é apenas a tradueçao d’aqueíle principio de direito natural=fas aos outros o que queres que te façam a ti=que está muito longe 6 ser=caridade=porque esta é=o amor exaltado até á abnegação, sanctificado pelo sacrifício, divinisado pelo santo amor de Christo, medida do amor do homem. É assim o preceito novo do christianismo. Abi fica essa ultima=grelha—e cremos que o nosso ôdversario não voltará mais a moer-nos a paciência com inexactidões, sofismas, contradições c argumentos contraproducentes, nem nos quererá obrigar a ver o que escrevemos pelo mesmo prisma de que s. s/ se sorve. Se voltar mostrar-lhe-hemos então que só na=egreja catholica é que existe a=verdadeira caridade. Por estas linhas sr. redactor lhe ficará muito obrigado o seu constante leitor Beja 10 de janeiro de 1868. Emygdio.