Theatro
Quinta feira (30) houve no theatro do sr. Sousa Porto a primeira recita dada pela companhia que se acha n’esta cidade e que é dirigida pelo actor Gil. Constou o espectáculo da comedia-drama em dois actos A Leitora, da scena cômica—João Fareta—e da comedia n’um acto—O Aboletado—. A impressão que geralmente produzio o desempenho da nova companhia foi agradavel e promette por isso alguns lucros á empresa. O actor Gil é já conhecido nos nossos theatros e tem direito pelo seu merecimento a ser considerado: é um bom centro, tem uma voz extensa e presta-se sem esforço ás diversas modulações, que o habilitam a desenhar com correcção e acerto os personagens que representa. Se na Leitora o sr. Gil mostrou bem o que vale como actor, deixa-nos ainda antever quanto devemos esperar dos seus recursos dramáticos em peças de mais acção e interesse. O actor Carlos tem intelligencia e diz com naturalidade e mesmo com graça algumas cousas; parece-nos todavia propenso para exaggerar-se um pouco. É defeito de facil correcção, e que sem duvida depende da pouca pratica do joven actor. O actor Cypriano tem intelligencia; é correcto na dicção, e declama com naturalidade; falta-lhe entretanto voz e figura para galã dramático. É esta a rasão porque o sr. Cypriano esteve mais á vontade no papel da comedia—O Aboletado—e soube tirar d’elle optimo partido. Falta na companhia uma dama galã. A actriz Lacerda tem merecimento, e em papeis de dama-centro ou mesmo meio-caracter deve ser muito approvelavel. Em resumo a companhia é regular e merece ser auxiliada pelos bejenses, a quem deve proporcionar, especialmente com a acquisição d’uma primeira dama galã, que espera, noites muito agradaveis. Consta-nos que a companhia projecta promover uma assignatura por um mez. É uma idea acceitavel para que todos de boa vontade hão-de concorrer, e donde se obterão dois resultados: passar noites agradaveis e garantir um rendimento seguro á companhia.