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Portimão

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Lisboa · Portimão · Portugal Correspondência · Interpretacção incerta

Continuado do numero antecedente: Agora vamos a entrar no sublime da missão d’engenheiro. Entrar porem n’uma questão com homens de sciencia, e especialmente com um Petrux in cuacli, não é lá muito bom. Quando os gladiadores estão em terreno solido, se batem com armas eguaes?—entretanto, assim não. O sr. V. atascado em lodo, e nós a encaixotar figo e fazer obra de palma no adro, representamos duas entidades inteiramente differentes, e em campos diversos. N’este ponto como em sciencias não póde haver exclusão, porque se póde saber de tudo um ponto pomos de parte o esparto, para nos entretermos agora com sua s.ª, já que nos deu motivo. Concedendo-lhe porem o trahit quemque sua voluptas, que cada um tem a sua inclinação, e que a natureza o fadou para o lodo, e a nós para encaixotarmos o bom figuinho, em que pela graça de Deus tanto abunda esta provincia, é certo porem, que esta regra nem sempre regula, e que conhecemos muitos engenheiros sem engenho, não obstante sentarem-se 7 annos n’um banco de pinho, como s. s.ª. Muita gente ha que tem frequentado as escolas, e por obra e graça da santa ignorância voltam como foram, apesar de trazerem um salvo conducto, com o qual depois fazem tudo o que querem, commettendo erros gravissimos, e de primeira intuição. Não é pois tão sublime a engenharia como nol-a pinta, não tem as escolhos que apresenta, nem é só a sciencia dos predestinados. Não temos nós homens iminentes em sciencias, sem se terem sentado nos bancos escolares? Temos sim; porem ainda nenhum que nos conste, veio a publico cantar a sua apotheose. Esta gloria porem cabe ao sr. director da 3.ª direcção hydraulica, que se esqueceu de que o louvor em bocca propria é vituperio, manchando assim a reputação que aqui gosava de ser um cavalheiro em tudo e por tudo delicado. Mas n’esta parte desculpamo-lo, porque a caridade bem ordenada começa por nós, e aproveitaremos, depois de lhe darmos esta correcção, o conselho de fazer obra d’empreiteiro. Honra-nos pois o trabalho de dia e de noute, mas custa-nos que sua s.ª passe a maior parte do tempo em Lisboa, talvez nos trabalhos de secretaria, e que as obras do caes, melhoramentos da barra, e os serviços sem conto, que nos apresentou na sua carta ou antes palinodia inserta no Bejense n.º 361 caminhem a passos lentos, e outros fiquem em mero projecto, como os trabalhos do pharol do Guadiana que são o prototypo d’arte e gosto. (Continua.)