Portimão
Continuado do numero antecedente: São o prototypo d’arte e gosto, se effectivamente os trabalhos do pharol, são os que se acham á vista. Ha pouco os contemplamos nós, depois que lemos o n.º 364 do Bejense. Merecem a admiração, porque não consistem n’outra cousa mais do que nos reparos d’um forte na margem direita do Guadiana, que se diz em Villa Real terem sido feitos para alli se collocar um pharol, talvez para o anno de dous mil, assim como resolver a commissão dos arrozais, a que o sr. director da 3.ª direcção hydraulica chama importantissima. Ver se um terreno é pantanoso, e se está em condições proprias de se lhe semear o arroz, sem que se prejudique a saude publica não é muito difficil. Esgotar um terreno, tornal-o em condições de poder receber fructos não é tambem difficil... não é preciso sentar-se um indivíduo qualquer em um banco de pinho (7 annos) para o fazer com perfeição e arte. Ahi temos nós em Matamouros uma propriedade do sr. Domingos Vieira, cujos trabalhos de drenagem podem servir de modelo aos da mestrança, e não se sentou muito tempo nos bancos de pinho. Portanto já vê o sr. director, que os seus argumentos nada colhem, nem os seus elogios merecem pezo algum. Melhor fora que não bulisse comnosco, que aborrecemos questões, em que não desejaríamos entrar, para não avivarmos cousas que devem ficar sepultadas no silencio, para que lá por fora não soubessem os erros que commettem os mestres cá n’esta extremidade do paiz. Já que nos falla no sr. Menezes como um mestre, e cuja reputação scientifica eleva ao zenith, apontaremos algumas obras dirigidas por s. s., que são a verdadeira prova—Ex-fructibus cognoscetis eum. Cremos que s. s. tem intelligencia, concedemos-lhe até que terá bons desejos d’acertar, porem a pratica mostra-nos o contrario. O estudo que o sr. Menezes fez da estrada da barca d’esta villa para a de Lagoa, foi tão pouco premeditado na dimensão dos pontões e aqueductos, e no numero d’elles, que a estrada foi quasi toda destruida pelas cheias. Nalgumas partes talvez sem exaggeração as agoas levaram 10 metros de extenso de aterros. Chama-se isto fazer estradas para o verão, sem dar o devido desconto ao inverno, e o resultado é que indo tão economias?! Além d’isto tem o sr. director V. outras provas em abono da intelligencia do sr. Menezes, e que agora citamos: o pontão d’Odiaçat que cahiu assim que lhe tiraram o arco de madeira; o pontão proximo á nora do sr. Serpa, que não dá vazão ás agoas, por não ter sido construido em harmonia com o nivel; o de S. Pedro feito em frente da estrada da Reminha, que tem só duas vazantes, quando era mais curial que ficasse com 3, para as agoas não lhe fazerem os estragos, que estão hoje remediando e gastando verbas que podiam ser applicadas ao complemento da decantada estrada de Lagos. Estas obras são a verdadeira recommendaçao do sr. digno sub-chefe, e que lhe perpetuarão um nome immorredouro n’estes sítios, assim como a s. ex.ª que nos queria dar empreitadas d’aterro, e ensecadeiras. Crê a s. ex.ª que se não nos tomasse todo o tempo a obra de repartir o encraisotamento dos figos, e que tudo são economias?! ... e que ainda era certo de nos não acceitar arrematação de balde, d’um lanço qualquer, não tomariamos uma empreitada nem muitas. (Continua.)