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Correspondencia do noticiário—Dizem-nos de Mertola: Não lhe tenho escripto por estar ausente

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Mértola · Portugal Correspondência · Interpretacção incerta

Agora que chego mal tenho tempo de dizer-lhe que vae o diabo em casa do alfacinha por esse mundo eleitoral. Tudo quer ser deputado! Eu sinto por a maior parte d’elles a ultima syllaba do lugar que ambicionam; até por Mertola (que nunca os desconhecidos se atreveram a propor-se) appareceram agora não sei quantos! Mas é bonito virem meter-se cara a cara d’um povo brioso, civilisado e cioso de seus direitos, homens desconhecidos, sem nome ou sem qualidades que os recommendem—fallando de si, e pedindo para si! Santo Deus, aonde vamos!... Familiarisem-se primeiro comnosco e depois voltem para lhe deferirmos a pretensão. Entre elles vem um cavalheiro que [ilegível] o titulo de escriptor publico. Se vê por aqui que tudo tambem cá a pessoa está do caso. O collega propõe-se por onde ninguem conhece as suas producções litterarias; e cá a nossa sapientissima pessoa escrevinha por aqui mais que o diabo, e andam anciosos por descobrir quem é, naturalmente tambem para candidato. Nada, nada; pela nossa parte dispensamos, porque em S. Bento este anno vae haver caqueirada velha—queremos rir cá de fóra. Desenganem-se porém os alheios, que emquanto o nosso bom amigo e patrício o ex.mo Fortunato de Mello quizer ser, não póde outro algum competir com elle—isto é: por Mertola—o mais não nos importa. Se o sr. Fortunato de Mello não é um grande orador, ao menos é um homem de bem, e conhecedor das necessidades d’estes lugares; e se não consegue mais é pelas mil razões que não são desconhecidas aos desapaixonados; mas outro qualquer dos que por aqui se inculcam não podem de certo ser-nos mais profícuos. Até á semana. Mertola 10 de março de 1868. S.