Em homenagem á verdade devemos dizer que o revd.° padre Antonino não correspondeu á expectactiva do publico, que o ouviu, e que antes perdeu alguma cousa dos créditos que havia adquirido, e das sympathias que tinha sabido despertar quando pela primeira vez se fez ouvir nesta cidade. Especialmente o segundo discurso que proferio na festividade d’este anno desagradou muito, não só pelos erros d’historia e anachronismos indisculpaveis que commetteu, mas pela doutrina menos conveniente que pretendeu sustentar, e que era imprópria do lugar que occupava. Não soou bem ao auditorio ouvir dizer do púlpito: que a perda da nossa independência em 1580 fôra como que um castigo do céu pelos progressos que o protestantismo, e o que é mais, o voltairianisme e racionalismo haviam feito entre nós. Mas o que sobre tudo desagradou foi a apologia do absolutismo, ou da monarchia pura, e o appello que fez ao povo aconselhando-o a não poupar meio, nem ainda o das armas, na defeza d’esse principio, unico que poderia salvar-nos dos cataclysmos, que a sua phantasia nos creou. Sentimos que o sr. padre Antonino se esquecesse por tal modo do lugar em que estava, e que trouxesse para alli questões e assumptos impróprios da cadeira do Evangelho, porque possue muito brilhantes dotes oratorios, de que lhe seria facil tirar importantes vantagens.
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