Portimão
Dizem-nos desta villa em data de 4 do corrente, o seguinte: Horroroso assassinio—Pelos principios d’este mez, mais uma fera carnivora, mais um monstro da natureza perpetrou a sangue frio um crime, que jamais presenciou Portimão. A fera [ilegível] monstro da humanidade tocado de [ilegível], munio-se de uma [ilegível], e com o coração mais feroz que o tigre dirigia-se á sua victima, que estava preparando o sustento da pobreza, e á falsa fé descarrega-lhe sobre o pescoço um golpe logo mortal, estendendo-o immediatamente no chão, por isso que estava um pouco curvado para a preparação do jantar, que quotidianamente ha mez e meio a sociedade de beneficencia desta villa dá a 150 pobres. Mas não fica por aqui só o crime. Depois da golpe jugular, e de se ter aproveitado da sua posição para o lançar por terra, crava-lhe o punhal de cada um dos lados do peito, varando de lado a lado, rasga-lhe as entranhas, e afinal repete-lhe tantos golpes, que ao ultimo a faca ficou em parte cravada nas costellas. A fera foi presa com dificuldade e entregue ao poder da justiça. E se a abolição da pena de morte é para nós um dos passos mais gigantes da civilisação, no entanto, para um assassino deste calibre, e revestido das circumstancias que deixamos expendidas, não seria sufficiente uma morte, para expiar tamanho crime.